
O Fidel Castro pediu aposentadoria esta semana, gerando uma reação pelos jornais em geral. Apesar do Fidel demonstrar uma enorme preocupação com a igualdade dos indivíduos, ele é um dos maiores ícones do autoritarismo na América Latina. Como um bom democrata, resolvi fazer uma comemoração à liberdade levando um charuto cubano para o ILP que fumei com o Lamari e a Mayra. E escolhi compartilhar o charuto com os dois pois o Lamari é o meu colega que mais preza a liberdade, e a Mayra é aquela que certamente mais preza a igualdade


Lamari e Mayra charutando por Cuba: o charuto é o mesmo mas os motivos são diferentes
No livro Da Democracia na América, Alexis de Tocqueville descreve maravilhado um sistema político onde os valores de igualdade e liberdade são fortemente enfatizados. É difícil concordar com Tocqueville hoje dia, quando o sistema norte-americano encontra tantos problemas de representação de minorias, como os negros, e forte influência do capital de grandes empresas, como a Enron. A democracia deveria servir ao bem estar dos indivíduos, e não às corporações que financiam as eleições.
Mas existe uma consideração interessante neste livro sobre liberdade e igualdade. Tocqueville considera ambos valores igualmente importantes, mas teóricamente a igualdade lhe parece mais importante em um primeiro momento, pois segundo Tocqueville, em uma sociedade onde exista liberdade absoluta e nenhum dispositivo para tornar os homens iguais, os mais fortes irão excercer algum tipo de dominação sobre os mais fracos (ou pobres). Já em uma sociedade onde exista igualdade total, a tendência é que exista uma liberdade total, pois não havendo diferença entre os homens não existe dominação, nem a privação da liberdade do mais forte para com o mais fraco… Resumindo: muita liberdade gera desigualdade. Muita igualdade gera liberdade.
Nesse sentido o Fidel é justificado: suprimir toda a liberdade do indivíduo em nome de uma pretensa igualdade total vale a pena pois no limite isso liberta o homem. São considerações teóricas, pois em geral se limitam ao aspecto econômico da vida em sociedade, e considera limites teóricos para lá de questionáveis, afinal o que raios é liberdade total, ainda que nos limitemos ao aspecto econômico dessa consideração?
Teorias a parte, eu torço por sistemas políticos abertos à participação de algum tipo de oposição real, onde aqueles que discordem da ordem política possam lutar como Lula, dentro do próprio sistema eleitoral, e não como Fidel e Guevara, pela luta armada. Isso gera situações dramáticas como guerras e tortura. Não posso concordar. É por isso que comemorei essa pequena perspectiva de liberdade política, que desejamos ver com o afastamento de Fidel do poder.
Por fim, ficou aquele gosto estranho de charuto na boca: não tenho nenhum costume de fumar, mas valeu pela firula. Da próxima vez espero poder servir um Cuba Libre.
Castro 25 de fevereiro
Cuba é livre do neoliberalismo.
O neoliberalismo não é livre.
Prefiro saúde, estudo, alimentação, cultura, esporte e lazer gratuito e qualificado. Prefiro baixo índice de corrupção, menor índice de analfabetismo, baixo índice de suicídio, homicídio, trafico e furto.
A “liberdade” eleitoral nunca me proporcionou um político assim.
Fidel
Fidel
Cuba Socialista!
“Em vez de nos agredirem como nos agridem, por que é que não fazem simplesmente uma pergunta: como é possível que Cuba em 30 anos tenha feito o que a América-Latina não fez em 200 anos?”
“Esta noite milhões de crianças dormirão na rua, mas nenhuma delas é cubana”.
Christiano Milfont 26 de fevereiro
Sério, como pode em pleno século 21, alguém achar que em Cuba existe igualdade?
Educação? alguém já viu a grade curricular que é ensinada na ilha de Fidel?
Saúde? já viram as as condições dos hospitais cubanos?
E o embargo? Que na verdade são sanções e que proíbe APENAS empresas americanas de negociarem com Cuba ou com quem negociou a dois anos com Cuba.
Cuba é uma pobre ilha desgraçada que não tem nada, tanto é que abram as portas e nem Raúl ficaria.
Já vai tarde, o último tiranete do século 20 merecia ir para um tribunal internacional pagar por seus crimes, nada justifica matar.
Engraçado que para a esquerda festiva comemora ditadores de esquerda, se for de esquerda pode.
Rídiculo.
Castro 26 de fevereiro
Como pode em pleno século XXI alguém achar que existe liberdade e democracia no sistema Neoliberal. A inacabada crise da pós modernidade com ausência do passado e do futuro nessa civilização imediática e efêmera das mentes sem memória. Sempre me contaram a história dos vencedores e não a dos vencidos. Ainda resta a critica!
A grade curricular do ensino cubano, além das matérias fundamentais de todas as escolas, aprende-se a ser solidário patriota e socialista. Os alunos têm um desempenho escolar acima da média e 99,7% dos cubanos são alfabetizados.
A saúde vai bem, a taxa de mortalidade infantil é de 5 enquanto nos Estados Unidos é de 8, a expectativa de vida se iguala a dos Estados Unidos 75 mulheres e 79 homens. Não houve nenhum caso de sarampo, coqueluche, poliomielite, rubéola, rubéola CRS, tétano neonatal, ou febre amarela em 2006 e 99% da população é vacinada. Especialidade médicas como dermatologia, oncologia e cardiologia são exemplares mundialmente.
O embargo econômico é muito mais do que está no papel. Qual quer País que negociar com cuba vai para uma espécie de lista vermelha e sofre represarias.
Cuba já abriu as portas por 2 anos, muitos cubanos insatisfeitos saíram da ilha e foram para Miami custeados por Fidel. Quem mandou parar? Os Estados Unidos que não queria mais cubano sujando Miami.Pode conferir!Ninguém proíbe cubano sair de cuba, basta juntar dinheiro e comprar uma passagem de avião. Nada mais meu caro.
O ultimo Tiranete? Quando Hitler assumiu o poder ele nem precisou alterar a constituição alemã que por acaso se dizia democrática. O artigo 48 da constituição diz: Um grande governante pode romper com certos conceitos democráticos se achar necessário para nação.
Isso me lembra muito as medidas estadunidenses. Medidas de fundamentalismo cultural. Massacre e guerra para todos que não se enquadrem aos seus princípios. Um País que age através da dinâmica do horror e da manipulação. Um território doente, que vive do consumo e de imagem. Não tem limites para lucrar mesmo que isso valha vida. Estados Unidos é o País que tem as duas maiores e mais cruéis bases de tortura. Uma Guantanamo e outra Abhu Graib. Evidente que não são em território americano, como se isso deslegitimasse a crueldade. As torturas mais cruéis e requintadas são feitas por esses democráticos norte americanos. Qualquer preso terrorista não tem direito a advogado,contato com parentes ou redução de pena.
Esse é um País de “Eleições Livres”, é “Democrático”,é “Livre” é símbolo do Neo liberalismo……………………Parabéns!!!
Desejo a morte dessa hipocrisia, dessa farsa, dessa ilusão. Isso tudo sai muito caro.
Esse discurso do senso comum me dá coceira.
Morte ao IMPERIALISMO!!!!!!
Felipe S. Gomes 26 de fevereiro
Ah, havia me esquecido: a Mayra é Castro! Nada mais conveniente, certo?
Mas este assunto é polemico demais. Especialmente pela diversidade de sentidos que uma mesma palavra pode ter. Democracia pode ter muitos sentidos diferentes. Na faculdade os macacos velhos não discutem democracia, mas poliarquia. Poliarquia é um tipo específico de democracia que existe hoje em dia no ocidente, e em alguns países do oriente.
Outro problema da discussão é a malandragem ideológica: liberais falam em proibição de uso da internet e de saída da ilha, assim como castristas supervalorizam certos aspectos do sistema, como a medicina. Na verdade a internet não é proibida: o preço é que é proibitivo!
Para não inflamar desnecessáriamente a discussão eu acho que é melhor eleger assuntos. Por exemplo: para o consumidor o ideal é ter um certo nível (alto) de liberdade econômica, para que o preço das coisas abaixem e o padrão de vida melhore. Com isso as pessoas ficam mais felizes
Do ponto de vista da participação política também é bom ter um certo nível de liberdade.
A minha avaliação é a de que Cuba está fora de um padrão de conforto nesses dois quesitos, assim como o Brasil está fora do padrão de conforto no quesito educação, por exemplo.