Texto sobre discriminação étnica a partir de texto de Todorov
Introdução
Ao lermos o texto “Igualdade e Desigualdade” em A Conquista da América de Todorov, encontramos conceitos antropológicos através dos relatos. Estes relatos nos apresentam mais a historicidade das sociedades do que dados etnográficos de um estudo antropológico.
Notamos que a questão Igualdade / Desigualdade, Identidade / Diferença é o que justifica os dominadores quando chegam às Américas. Ao expormos o primeiro parágrafo do texto:
“O desejo de enriquecer e a pulsão do domínio, essas duas formas de aspiração ao poder, sem dúvida nenhuma motivaram o comportamento dos espanhóis; mas este também é condicionado pela idéia que fazem dos índios, segundo a qual estes lhes são inferiores, em outras palavras, estão a meio caminho entre os homens e os animais…”
Aqui encontramos conceitos de:
A – Evolução
“…estão a meio caminho entre os homens e os animais…”
Os espanhóis acreditam na inferioridade. Eles possuíam o direito de dominar estes povos pois estavam em uma posição de superioridade.
B – Cultura
“O desejo de enriquecer e a pulsão do domínio, essas duas formas de aspiração ao poder.”
Esta relação com o poder e o desejo de dominar outros povos mostra a grande diferença que existe em relação aos povos que seriam conquistados, pois estes povos possuíam suas culturas (ex.: maias e astecas).
C – Diferença e Desigualdade
“…é condicionado pela idéia que fazem dos índios, segundo a qual estes lhes são inferiores…”
“Ora, esse debate não põe em jogo somente oposição igualdade/desigualdade, mas também entre identidade e diferença.”
D – Relações Raciais
A destruição pôde ocorrer pois a diferença marcada principalmente por esta questão racial era explícita.
E – Relação Natureza / Sociedade
A questão da igualdade e desigualdade, pois como seres humanos pertencemos à mesma espécie, tendo alma (somos iguais), mas na organização social existe a diferenciação de classes (somos diferentes).
O Postulado da Desigualdade
Como o próprio autor cita no início do texto: “a diferença se degrada em desigualdade”, e essa crença dos espanhóis, de que os índios são seres diferentes, foi justamente o que possibilitou o massacre dos índios ocorrer .
Um primeiro documento interessante e o Requerimiento, e data de 1514. A própria existência desse documento já indica que os espanhóis achavam os índios inferiores ,e Las Casas ao analisar esse documento diz: não sabemos “se devemos rir ou chorar diante do absurdo” do Requerimiento. Esse texto era lido para os habitantes da região que eles conquistavam e continha uma breve historia da humanidade, com o aparecimento de Jesus Cristo, o soberano supremo que continha o universo inteiro sob sua jurisdição, e como ele transmite seu poder até chegar a um dos últimos papas, que doou o continente americano aos espanhóis. Os índios ficavam com duas opções de inferioridade: ou aceitavam uma interpretação de sua própria historia, e a situação de inferioridade, ou a guerra estava justificada. Muitas vezes nem se traduzia o texto para a língua local e outras vezes, quando se traduzia , não se dava tempo para os índios responderem e já os levavam prisioneiros.
Os espanhóis não entendiam como os índios não compreendiam o texto, pois para os espanhóis aquilo era uma verdade universal.
O Postulado da Igualdade em Las Casas
Em Todorov encontramos o expoente do postulado da igualdade em Las Casas, que vê no indígena (o outro) um ser com natureza cristã. Por ter uma concepção imediatamente contrária à de Sepúlveda, este será combatido por Las Casas. Las Casas é, sobretudo, um cristão. Esta é a maneira como ele deve ser apresentado. Se Sepúlveda podia ser colocado sobre o patronato de Aristóteles, Las Casas é apresentado sobre o patronato direto de Jesus Cristo, e assim mesmo se apresentou, como é constatável na citação onde Aristóteles é negado e consequentemente todo o pensamento de Sepúlveda:
“Adeus, Aristóteles! O Cristo, que é a verdade eterna, deixou-nos este mandamento: ‘Amarás ao próximo como a ti mesmo.’ (…) Apesar de ter sido um filósofo profundo, Aristóteles não era digno de ser salvo e de chegar a Deus pelo conhecimento da verdadeira fé”. (Apologia, 3)
Sepúlveda defendia uma dominação baseando-se na inferioridade natural dos índios, ao contrário de Las Casas, que juntamente de vários outros indivíduos da época, via os índios como cristãos em potencial. A nada podemos atribuir esta visão de igualdade entre índios e espanhóis senão à intenção de converter os índios e também à ignorância dos europeus quanto ao indígena como indivíduo aculturado.
Esta percepção simplista de como Las Casas quanto aos índios pode ser observada na forma como ele descreve os nativos, usando descrições por demais apologéticas, banhadas de idealismos, até a comparação dos índios com o próprio Adão. Quando menos, usa termos adjetivos como “meigos e pacíficos” ou faz descrições meramente restritivas como: “são gente sem defeitos, nem assim nem assado…”. Nunca faz menção à cultura ou organização social dos nativos, de forma que ao descrever populações muito distintas, espalhadas desde a Flórida até o Peru, dá a estes semelhante caracterização.
Las Casas mostra, à vista do leitor descuidado, uma visão aparentemente pró índio. É essencial, porém, que Las Casas em momento algum de fato compreende os índios como indivíduos providos de cultura própria. Do contrário, sua ignorância é tão grande em relação aos índios, que Las Casas conclui que estes são desprovidos de uma (verdadeira) cultura. Note que esta ternura com os índios não existe em relação aos muçulmanos, pois os muçulmanos tendo a consciência de que não são cristãos, não se deixam assimilar (e se possível até assimilariam aos próprios cristãos). Por fim poderíamos entender que Las Casas via os índios como iguais em potencial, o que não acarreta que haja aqui uma compreensão do outro, mas muito pelo contrário, demonstra uma, senão total, grande ignorância.
Conclusão
Vimos portanto o confronto das visões da diferença e da igualdade entre espanhóis e índios que se travou durante a conquista do continente. Tomar partido nesta briga é perda de tempo, já que ambos pontos de vista são, metodologicamente, faltosos em sua construção, chegando fatalmente à uma conclusão inadequada. O estudo dos textos é útil para aprendermos a distinguir um trabalho de fato etnográfico. O próprio Todorov, que se mantém bastante acrítico durante sua exposição, chega a demonstrar sua opinião no seguinte parágrafo:
“Se é incontestável que o preconceito da superioridade é um obstáculo na via do conhecimento, é necessário também admitir que o preconceito da igualdade é um obstáculo ainda maior, pois consiste em identificar, pura e simplesmente, o outro a seu próprio ‘ideal do eu’ (ou a seu eu).”
O trabalho etnográfico exige sobretudo desprendimento à quaisquer preconceitos, além de exigir uma certa metodologia. Malinowski descreve sua experiência na Nova Guiné quando esteve entre os nativos durante considerável período de tempo e sem contato com a sociedade branca. Malinowski não somente aprende a língua dos nativos como participa da vida da tribo como um comum. Esse contato não existe nos trabalhos de Sepúlveda ou Las Casas. Do contrário estes autores nos apresentam os dados sem explicar o método de coleta, como se tivessem retirado estes dados do nada.
Malinowski vai além, e chega a afirmar que “um trabalho etnográfico só tem valor científico irrefutável se nos permitir distinguir claramente, de um lado, os resultados da observação direta e das declarações e interpretações nativas e, de outro, as inferências do autor, baseadas em seu próprio bom-senso e intuição psicológica.” Tal concepção metodológica do trabalho etnográfico põe tanto Las Casas quanto Sepúlveda às margem da antropologia como ciência, e nos leva a concluir que se tais trabalhos não alcançam a meta antropológica são bons exemplos a serem evitados. Em Argonautas do Pacífico Ocidental, de Malinowski, o aluno de antropologia será capaz de apreciar um trabalho etnográfico dotado de minuciosas metodologias. Um belo exemplo a se seguir.
Trabalho de antropologia de: Alexandre Henrique Asada, Felipe dos Santos Gomes e Janaína Bastos Soares. Universidade de São Paulo, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Departamento de Antropologia
não entendi nADA
Segundo a visão de las casa os indios eram vistos como figurantes de uma paissagem, não se tinha o cuidado de observa-lo como “ser humano”Para las casa o indio como o branco viu também o branco como ser “diferante”mais respeitou esse conseito , se estudarmos profundamente iremos descobrir que o indio seja mais sivilizado que o homem branco.Darclei barboza
Felipe, estou lendo um texto de las casa que é o”conhecer” é bastante interesante e nos tras a visão do autor sobre a religião ao meio antropologico.
Segundo a visão de las casa os indios eram vistos como figurantes de uma paissagem, não se tinha o cuidado de observa-lo como “ser humano”Para las casa o indio como o branco viu também o branco como ser “diferante”mais respeitou esse conceito , se estudarmos profundamente iremos descobrir que o indio seja mais civilizado que o homem branco.Darclei barboza
nao entendi nada
gostei muuuuuuuuuuiiiiiiiiiiiiiiiiiiiitttttttttttttttttooooooooooooooooooooooooo
[red]gostei
nummmmmmmmm entendi merda nem uma
chato