Ciências Sociais

Alguns textos com temas ligados às Ciências Sociais.

Sonhos com Xanghai

Este vídeo é um diálogo entre pai e filha do filme Sonhos com Xanghai.

Recortei esse trecho para falar sobre a valorização da educação no oriente. Países como Coréia, Japão e China tem essa característica: a educação é levada verdadeiramente a sério.

O impacto desse traço na cultura política de uma nação é o seguinte: as pessoas estudam mais, se tornam trabalhadores melhor qualificados e produzem mais. Assim a produção tende a aumentar, com ela melhora a economia, e se nada atrapalhar, melhora a felicidade e bem estar geral das pessoas.

Seria legal descobrir uma forma de promover a valorização do estudo entre os paulistas e os brasileiros…

A Economia do Dólar Tratorizando o Mundo

Um trator com as cores da bandeira americana, representando a economia norte-americana, avança em direção ao planeta que corre para não ser atropelado. É assim que o jornal China Daily retratou a atual situação econômica mundial.

A charge é uma crítica a forma que os EUA manipulam o dólar para dar alívio a economia doméstica, mas causando transtornos a economia do restante do mundo.

Hoje o presidente do FMI sugeriu trocar o dólar pelo ouro. Veja a nota da ADVFN: “o presidente do FMI, Robert Zoellick, acredita que o mundo precisa voltar ao padrão ouro para balizamento das taxas de câmbio entre as moedas internacionais. Dessa forma os governos ficariam mais restritos à emissão de moeda, contornando em parte a guerra cambial em curso. O retorno ao padrão ouro, entretanto não seria nada fácil…”.

E essa história vai longe…

Poesia Bizarra

“O poeta que comía leões de pedra” é um famoso poema chinês escrito por Zhao Yuanren que usa exclusivamente o fonema “shi” nas diversas entonações existentes em mandarim. Estou publicando o poema conforme se pronuncia fonéticamente em Pinyin, em ideogramas chineses e por último você pode ouvir o mp3 da leitura do poema.

Shī Shì shí shī shǐ

Shíshì shīshì Shī Shì, shì shī, shì shí shí shī.
Shì shíshí shì shì shì shī.
Shí shí, shì shí shī shì shì.
Shì shí, shì Shī Shì shì shì.
Shì shì shì shí shī, shì shǐ shì, shǐ shì shí shī shìshì.
Shì shí shì shí shī shī, shì shíshì.
Shíshì shī, Shì shǐ shì shì shíshì.
Shíshì shì, Shì shǐ shì shí shì shí shī.
Shí shí, shǐ shí shì shí shī, shí shí shí shī shī.
Shì shì shì shì.

Chinês

施氏食狮史

石室诗士施氏, 嗜狮, 誓食十狮。
氏时时适市视狮。
十时, 适十狮适市。
是时, 适施氏适市。
氏视是十狮, 恃矢势, 使是十狮逝世。
氏拾是十狮尸, 适石室。
石室湿, 氏使侍拭石室。
石室拭, 氏始试食是十狮。
食时, 始识是十狮, 实十石狮尸。
试释是事。

Ouça a poesía em mp3

A desvalorização do dólar e o declínio dos EUA

Bandeira americana com pôr-do-sol

The rise and fall of the great powers cover

Os Bancos Centrais de países emergentes estão comprando ouro ao invés de moedas estrangeiras para suas reservas. Com a perda de credibilidade das principais moedas como o dólar, se os EUA aumentarem o déficit para fugir de uma deflação, a Europa terá de fazer o mesmo para evitar a apreciação do euro em relação ao dólar segundo os analistas…

frase publicada no Boletim da ADVFN.

Em 1989 Paul M. Kennedy lançava o seu livro “The rise and fall of the great powers“, um trabalho de analise da história dos grandes impérios mundiais. Quebrando a tradição de não fazer previsões sobre o futuro este cientista político diagnostica a queda da União Soviética, o crescimento do Japão e China e o declínio gradual dos Estados Unidos. Hoje eu quero fazer algumas considerações sobre o dólar e como o seu poder econômico esta ligado ao poder político dos Estados Unidos, uma potência em declíno.

Como o dólar se tornou a moeda de troca internacional?

Ao final da Segunda Guerra os países capitalistas adotaram o dólar como moeda de troca internacional. Isso significa que quando dois países capitalistas trocam mercadorias a moeda preferencial é o dólar. Na época o Reino Unido se empenhou para que a moeda internacional fosse uma moeda nova, controlada por um banco central internacional. Acontece que todos os países capitalistas saíram quebrados da guerra e os EUA ditaram a regra do sistema financeiro internacional capitalista que foi estabelecido pelo acordo de Bretton Woods. Como garantia os EUA garantiram o lastro com o ouro, mas esse compromisso foi quebrado em 1971, durante a administração de Nixon.

Dólar: moeda doméstica e moeda internacional

Isso leva o dólar a uma peculiaridade: ao mesmo tempo ele é a moeda de uma nação e a moeda de troca internacional. Uma moeda doméstica pode ser manipulada pelo governo para atender demandas da economia do país. O banco central pode emitir mais ou menos moedas, comprar ou vender para aumentar ou diminuir sua liquidez, por exemplo. Quando o Banco Central brasileiro faz isso ele esta interferindo no Real e portanto na economia doméstica brasileira.

Em 1998 quando o real foi fortemente desvalorizado a economia brasileira sentiu o baque de ter a moeda de trocas internacionais fortemente valorizada em pouco tempo. Mas essa mudança na economia só foi sentida na economia do real, ou seja, somente no Brasil.

Com o dólar é diferente: se o banco central norte-americano (FED) usa alguma política monetária o mundo todo sofre as consequencias. O cidadão comum norte-americano é afetado diretamente pois ele recebe o seu salário e tem suas despesas em dólar. O dólar é a sua moeda doméstica. Já o resto do mundo sofre porque as mercadorias que são comercializadas entre os países são trocadas em dólares.

Limites da democracia sobre a moeda internacional

Isso faz com que o indivíduo que trabalha ou consome fora dos EUA sofra os impactos da política econômica norte-americana sem que estes indivíduos tenham poder político sobre a economia do dólar. Se um cidadão avalia que a política econômica de seu país esta prejudicando ele pode punir o governo votando em um partido de oposição. Com isso o cidadão tem como interferir na política econômica.

Já quando o assunto é política econômica internacional o eleitor que mora fora dos EUA pouco pode fazer. Somente os eleitores norte-americanos têm algum poder plebiscitário nessa matéria.

Até onde o mundo continuará usando o dólar?

A AFP noticiou que o “ouro voltou a bater recorde” e aponta a desvalorização do dólar como causa. Como o dólar esta se desvalorizando é mais seguro (e barato) ter ouro na mão para garantir a liquidez das moedas nacionais. Não é exagerado dizer que o mundo provavelmente vai deixar de usar uma moeda nacional como moeda internacional. O prazo para que isso aconteça, contudo, é uma incógnita. Antes do dólar outras moedas desempenharam este papel, mas sempre que o futuro se demonstra incerto o ouro desponta como alternativa real.

Futuro: se os EUA continuarem a perder o seu poder em relação ao resto do mundo uma outra economia pode tentar impor sua moeda nacional no lugar do dólar como moeda internacional. Os europeus nunca deixaram de desejar um novo modelo financeiro internacional nestes moldes, e este assunto é bastante atual. Todavia eu acho improvável que o euro venha a se tornar a nova moeda internacional. A China que demonstra um grande potencial econômico tem um sistema financeiro insipiente e portanto nada confiável para que sua moeda venha desempenhar este papel.

Na minha opinião as nações passarão a usar gradualmente o ouro junto ao dólar para posteriormente firmar um pacto semelhante àquele sugerido pelo economista britânico: criar um banco central controlado societáriamente por vários países e que mantenha uma moeda internacional.

Leia Mais:

http://www.economist.com/businessfinance/displayStory.cfm?story_id=14842922&source=features_box3

Marco Aurélio Garcia Defende Populismo

O conceito de populismo tem sido usado na América Latina para desqualificar experiências populares de grande valor. Marco Aurélio Garcia.

A declaração acima foi feita pelo assessor de Lula que se referia especialmente à Venezuela de Hugo Chávez. O populismo é uma prática política onde o povo é utilizado como massa de manobra para driblar a democracia.

Veja porque as práticas de Huga Chávez são populistas: Chávez utiliza o povo para aumentar seus poderes. Quando ele não consegue fazer uma reforma dentro das instituições democráticas, junto aos parlamentares venezuelanos, ele utiliza o contato direto com a massa para conseguir atingir seu objetivo. O melhor exemplo disso foi a reforma que permitiu que ele fosse reeleito para sempre.

Um dos indícios de populismo é o uso intenso de rádio e tv: Chávez tem programa de TV onde atende diretamente o povo. A ideia parece boa aos incautos, mas ela concentra o Estado na personalidade do líder nacional que passa a ofuscar outras lideranças políticas. No Brasil o político que mais se aproxima do perfil de populista é o ex-governador do Rio, Anthony Garotinho, que felizmente fracassou nas últimas eleições.

A declaração de Marco Aurélio Garcia é importante pois mostra que no governo federal existem muitas lideranças políticas que estão dispostas a abrir mão da democracia. Na verdade esses indivíduos distorcem o conceito de democracia. Para gente assim qualquer consulta popular é mais ‘democrática’ que as decisões de um Congresso Nacional livre, o que não é verdade. O presidente da república tem poderes para, por exemplo, tornar os jornais e revistas mais mansos e menos críticos oferecendo benefícios como propaganda paga com dinheiro público. Se juntarmos a isso a possibilidade de convocar plebiscitos populares o resultado pode ser uma ditadura. Nós já experimentamos dois períodos de ditadura no Brasil: o governo de Getúlio Vargas e o regime militar. Se depender de alguns petralhas o futuro nos reserva mais do mesmo.

Lula e a Prática do Racismo

Na última quinta, dia 26, o presidente Lula atribuiu a culpa pela crise econômica global às pessoas de pele clara e olhos azuis. A repercussão negativa foi muito grande e ainda hoje, sábado, a notícia é a segunda mais lida no Financial Times (Brazil’s leader blames white people for crisis). Veja a matéria publicada no youtube.

A declaração do Lula é de que a crise tem um culpado e que esse culpado tem um biotipo (pele clara e olhos azuis). É uma pratica clara de racismo, crime tipificado em nossa Constituição Federal. Foi a prática do racismo que matou milhões de pessoas na segunda guerra na Europa e mais recentemente cerca de 200 mil pessoas foram mortes na região da antiga Yugoslávia.

Entrada de Auschwitz Birkenau *
Entrada do campo de concentração Auschwitz Birkenau na Polônia. A prática do racismo levou muitos inocentes a morte durante a II Guerra Mundial.

A prática de racismo é algo sério que matou e mata muitos inocentes e é uma vergonha ouvir uma declaração racista como esta, especialmente de um chefe de estado.

O Fim da História

Francis Fukuyama
Francis Fukuyama durante simpósio em Paris, janeiro de 2009. Foto: Andrew Newton.

Na ilustrada deste domingo, dia 21, saiu uma matéria sobre o “fim da história” de Fukuyama. O “fim da história” é uma tese que fez muito barulho ao final da Guerra Fria. Ouvi muitos comentários sobre o “fim da história, a maioria deles ridicularizando o autor. Na verdade poucos entenderam o que Fukuyama quis dizer ao usar a expressão “fim da história”.

O que Fukuyama entende como história? Para ele a história é a evolução da ideologia humana. Essa evolução ocorreria sempre que duas ideologias disputam espaço. O fim da Guerra Fria representou a vitória da ideologia liberal democrata. A liberal democracia saíu vitoriosa da Guerra Fria. Se não surgir outra ideologia que dispute espaço com a liberal democracia, então não existirá evolução ideológica. Logo, Fukuyama concluiu que a história chegou ao seu fim.

Existem ao menos duas teses opostas à tese do fim da história. Uma delas é marxista. Do ponto de vista marxista-socialista haverá uma revolução proletária que dominará o capital. Os adeptos a este ideia sempre encaram as crises sistêmicas do liberalismo econômico como um sintoma de sucumbência do capitalismo. Foi assim na quebra da bolsa de NY em 1929, foi assim no fim do lastro ouro na era Nixon. A atual crise financeira também é recebida como prenúncio do fim do capitalismo pelos socialistas marxistas.

Eu truco: Marx esperava que a revolução surgisse em sociedades com duas características marcantes: (1) mais de 90% dos trabalhadores empregados pela indústria e (2) grande acumulação de capital, ou seja, uma sociedade rica. As sociedades talvez estejam cada vez mais ricas, mas a proporção de trabalhadores na indústria não tem crescido. Esse fato é tão negativo para a previsão marxista que recentemente o Partido Comunista Chinês tem dado claros sinais de ampliar a base de militantes que até a poucos anos atrás era formalmente limitado a proletários, que a princípio são os trabalhadores assalariados da indústria (essa mudança de postura está expressa no princípio do “Three Represents” da Constituição do Partido Comunista Chinês). A própria história desmente a previsão marxista.

Outra tese que se opõe a Fukuyama é a tese do choque de civilizações, de Samuel Huntington. Segundo Hungtington o fim da Guerra Fria permitiu que peculiaridades entre grandes civilizações se tornassem importantes. Durante a Guerra Fria as peculiaridade continuavam existindo, mas a disputa entre os dois pólos diminuíam a importância das questões regionais. Por exemplo: a disputa entre israelenses e árabes não eram vistos como um choque de civilizaçõe. Ao invés disso a Guerra Fria reduzia tudo a aliados dos EUA e aliados da União Soviética, criando uma perigosa bruma sobre as características regionais. Hoje a maior evidência desse choque de civiliações talvez seja a crescente hostilidade do mundo ocidental com os países muçulmanos.

Entre as três teorias eu fico com o Choque de Civilizações.

Notícias de uma Guerra Particular

Capa do DVD Notícias de uma Guerra Particular

Sempre que falo sobre moralidade com meus amigos eu me lembro de um filme que eu considero muito importante. É um documentário de João Moreira Salles chamado Notícias de uma Guerra Particular. Este documentário nos mostra um olhar sobre as comunidades pobres da cidade do Rio de Janeiro, a violência urbana decorrente do tráfico de drogas e a maneira como a Polícia Militar trata o assunto.

Eu vi este filme quando ainda cursava Ciências Sociais na FFLCH…

Foi assistindo a este filme que me dei conta de que a corrupção no Brasil nasce no cidadão comum. E isso me assusta muito ainda nos dias de hoje. Pois eu trabalho fazendo assessoria aos deputados estaduais do PSDB, e eu acredito que a política deve ser ocupada pelos cidadão que tem moralilibada e bons costumes.

Mais tarde o filme Tropa de Elite trouxe a mesma mensagem, mas desta vez romanceada: (1) a tolerância à corrupção existe em todas as classes sociais e (2) a soma de ilícitos menores gera a sociedade que temos; corrupta e ineficiente. Isso me entristece.

Eu recomendo que assistam ao documentário. Quem tiver dificuldades em conseguir o DVD segue abaixo link para o material que encontrei no google video em dez partes: parte 1, parte 2, parte 3, parte 4, parte 5, parte 6, parte 7, parte 8, parte 9 e parte 10. Já quebra um galho.