China

2012.03.19 Xian: mesquita, casa antiga e templo taoísta

Xian foi a maior cidade da China durante muitos séculos. Quando a China foi unificada pela primeira vez e a dinastia Qin instalada, Xian era a capital. Na época a cidade se chamava Changan. Localizada perto de um férteis leito de um rio afluente do rio amarelo, e protegido por cadeias de montanhas, Xian ainda contava com o positivo fato de estar no meio da rota da seda.

A rota da seda era um, ou alguns, caminhos de troca comercial de produtos chineses com a Pérsia e o restante do mundo. A China tinha excelente seda e materiais feitos de bronze para exportar. As importações incluiam jóias e temperos. Por muito tempo Xian foi a maior cidade murada do mundo, e uma das mais cosmopolitas, recebendo influência direta de diferentes povos. A chegada das religiões muçulmana e budista à China tem passagem importante nesta cidade.

Hoje visitamos o bairro muçulmano com um mercado cheio de lojinhas de coisinhas e de comidinhas. Bem no centro visitamos uma mesquita justo no horário de uma reza. A arquitetura é chinesa, com as características muçulmanas, semelhante a mesquita da rua da vaca, em Beijing.

Visitamos por ali uma casa que pertenceu a um alto oficial da dinastia Qing. O oficial passou em segundo lugar no exame nacional e ganhou a casa de presente. A casa é mantida até hoje pela família que transformou o lugar em um museu e em uma escola de pintura.

No final da tarde fomos conhecer um templo taoísta chamado Templo dos Oito Imortais. Eu não consegui pesquisar o suficiente para saber o que é taoísmo, mas sei que é uma das grandes religiões da China, e que o conceito de Tao está ligado às tríades que podemos ver na bandeira sul coreana, e que está presente em algumas fotos que a Ana Paula tirou.

Ficamos observando as roupas dos praticantes, que é diferente das roupas usadas em outros templos. A veneração é parecida com a veneração nos templos budistas e confucionistas: oferecer incenso ou dinheiro e fazer reverencia com as mãos postadas ou em frente a testa em frente a estátua que representa a divindade.

Xian é bem grande, mas ainda assim é bem mais rápido aravessar a cidade aqu do que em Beijing 🙂

Tentamos comer em um shopping. A Ana Paula queria macarrão sem picante, eheh. Eu me esqueci de pedir sem picante. Vi a foto do que seria um frango agridoce e pedi o barato. É claro, era bem picante, e lá no fundo com um pouco de agridoce. Achei que tinha pouca carne, e muita gordura. Parece que o pessoal gosta da gordura porque deixa mais macia a carne. Como eu consegui comer tudo, menos a sopinha e a salada de nabo, dou nota quatro pro prato 🙂

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2012.03.18 É neve, maluco!, e o Museu Nacional da China

Não é muito comum nevar nesta época do ano, mas aconteceu de nevar um pouco durante a madrugada, e pela manhã os telhados das casas e dos carros estavam cobertos de neve, trazendo uma ótima oportunidade para fotos. Não, eu não usei minha bota de neve. Usei meu tênis novo chinês que não machuca meus pés. Caiu um pouquinho de neve em cima, mas logo eu tirei, antes que molhasse de verdade meus pés.

Muita gente estava tirando fotos da neve também. É bem legal!

A cada cinco anos o Partido Comunista Chinês se reúne em Beijing para discutir o destino da política nacional. É quando se reúnem os representantes de cada província para reuniões e decidir certas coisas. O modelo de centralismo democrático é desconhecido no ocidente, a não ser por aqueles que tiveram algum contato com o antigo partidão 🙂

As decisões são tomadas em reuniões fechadas a não membros do partido, e não é permitido divulgar o voto vencido. Ou seja, se você não concorda com alguma coisa você pode registrar sua opinião em uma instancia superior do partido. Se você divulgar para alguém de fora, como um jornalista, você pode ser advertido ou expulso por não cumprir a constituição do partido.

O resultado prático é que publicamente as votação são todas consensuais. A cada pública do partido é a cara de um corpo coeso, decidido em uma única direção. Algo impensável no ocidente, mas na China se chama democracia também.

Durante as semanas que o partido está reunido o hall do povo e o mausoléu de Mao Tsé Tung ficam fechados para o público. Qual é a chance de se estar em Beijing durante o congresso? Pequena, mas é justamente o período que estamos visitando. Um dia depois de nossa saída da capital o encontro acaba, e esses dois lugares vão abrir novamente ao público, mas daí estamos longe…

Resolvemos ir ao Museu Nacional da China, que fica junto a Praça Tiananmen e não estava fechado. Grande, o museu tem várias exposições temporárias. Vimos coleção de dinheiro antigo, peças de jade e bronze antigos, inclusive um pote de bronze da dinastia Tang, com uns 4 ou 5 mil anos. Também vi uma mostra de cultura pop com desenho animado, quadrinhos, livros e jogos eletrônicos, todos chineses. Será que daria certo traduzir para vender em português esses quadrinhos no Brasil?

No centro do primeiro andar tem uma mostra de quadros que conta a história da fundação da República Popular da China, com a guerra em Nanjing, a grande marcha até Xian e depois mais guerra e a tomada de Beijing. Lembrei das aulas de antropologia da professora Lilia Moritz Schwartz, que ensinou a ler esse tipo de quadro contando histórias oficiais e montando a imagem pública do grande estadista.

No subsolo uma mostra permanente muito completa falando tudo sobre a China: dinastia Qing, Ming, Yuan, coisas do tempo dos três reinos, um monte de estátuas, achados históricos de uma vila no centro da China, por volta do ano quatro mil antes de Cristo, o homem de Pequim… Ops! Visitamos a exposição pelo lado contrário! :-p

De noite embarcamos para Xian. O trem saiu da estação oeste de Beijing. Como compramos a passagem na estação de trem central, não tínhamos idéia do tamanho desta outra estação, que obviamente é maior que a primeira. Aliás, já comentei que aqui tudo é gigante? A viagem durou doze horas, e fomos deitados na caminha de cima. Eu consegui ouvir um nerdcast e ler um capítulo das crônicas de gelo e fogo. Dia primeiro começa a segunda temporada de Game of Thrones, e eu estou longe de terminar de ler o segundo livro…

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2012.03.17 Mesquita, Zôo e ruínas do Muro de Beijing

Quando muçulmanos passaram a viver na China a nova religiosidade foi aceita desde que adquirisse características chinesas. A Mesquita da rua da vaca mostra o significado disso muito bem, pois todos os prédios lembram muito bem qualquer palácio real ou templo budista, taoísta ou confucionista. A diferença está nos detalhes.

Normalmente as construções deste tipo são feitas no eixo sul-norte, com a entrada para o sul. A mesquita deve ficar voltada para Meca, logo ela deve ser construída no eixo leste-oeste. Toda Mesquita tem um minarete, certo? Na Mesquita da vaca o minarete é um pavilhão de dois andares, bem discreto para o padrão árabe. Mas se trata de uma mesquita chinesa, e não árabe.

Na China as pessoas com alguma relação com o mundo árabe é classificado como etnia Hui (a pronúncia é huei), e está presente em vários pontos do país, mas em especial uma província chamada Yinchuan. A chegada dos Hui remete a época da rota da seda, com os mercadores persas.

A mesquita da vaca é uma atracão turística importante, mas não nos animou nem um pouco. A estrutura é bem antiga, do século X, e ainda está em pleno funcionamento. Quando passamos por lá tinha um grupo fazendo leitura em uma sala de aula, homens e mulheres misturados. Já o salão de orações era separado e havia um salão para os homens e outro para as mulheres. Eu não sei se em algum outro lugar do mundo existe salão de oração para mulheres em Mesquita, mas essa característica me pareceu uma boa inovação 🙂

Fomos secos para ver os pandas gigantes no Zôo de Beijing e vimos: todos deitadões dormindo profundamente como se fossem gatos domésticos. Acho que eu entendi porque um dos caracteres de urso panda é o mesmo caractere de gato doméstico: eles dormem igualzinhos. Demos uma passeada pelo restante do zoológico e tinha bastante marsupial, que é uma família de animais mais rara no Brasil. Também gostei dos macacos pois eram diferentes dos nossos. Um detalhe é que as casas de elefantes, rinoceronte e girafa, que em São Paulo ficam expostos a temperatura ambiente, aqui ficam fechados em ambientes quentinhos. Achei abafado, mas é bem melhor para os baixos tropicais.

Antigamente a cidade de Beijing tinha um muro. Na verdade eram vários muros. A cidade proibida ainda mantém o seu muro. O face sul do muro possui cerca de 900 metros. Fora do muro ficava um segundo muro cujo lado sul tinha, em sua ultima configuração, mais de 6km. O muro foi demolido para dar lugar a grandes avenidas, e abaixo delas uma linha circular de metrô, cujas estações mantém os nomes dos antigos portões da cidade.

Mas na esquina suldoeste existem ruínas da muralha, logo atrás da estação central de trem. Uma pequena parte foi restaurada e tem uma torre com uma exposição dentro contando a história do muro. Eu gosto bastante de história e achei bem legal ver as maquetes reconstruindo cada um dos portões, sem falar em mapas antigos e fotos do início do século mostrando aspectos do muro.

PS: estava chuvoso esse dia. Estava tão bom pegar dias ensolarados e sem nadinha de nuvem…

De noite fomos a um restaurante de Hot Pot da Avenida Qianmen. Segundo o cartaz da porta é um restaurante bem tradicional, onde o próprio imperador teria comido uma vez. Pedimos a versão picante do prato. Atenção: se você não for um baiano que gosta de coisas EXTREMAMENTE picantes, nunca peça algo picante, porque normalmente já é picante. Sabe o que nós ganhamos? Um prato que só tinha gosto de pimenta e fez eu me sentir como se meus lábios fossem tão carnudos quanto os da Angelina Jolie 🙂

O jantar vem em pequenas porções que você escolhe e vai mergulhando em uma panela de cobre que tem um molho que pode ou não ser picante. Comemos espinafre, adelga, raíz de lótus, cogumelos e carne de carneiro. Sabe qual é o gosto que tudo isso tinha?

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2012.03.15 Grande Muralha da China

Hoje fomos a um trecho da Grande Muralha da China perto do vale de Mutianyu, a uma hora e meia de ônibus de Beijing. O outro trecho típico para visitação se chama Badalin, e é muito lotado de turistas.

Resolvemos pegar o tour do hostel, depois de pesquisar bastante, e termos a garantia de que não teríamos de parar em lojinhas mico: acontece que quando fomos ao Cairo tivemos que olhar as pirâmides correndo, para depôs sermos levados para lojas de papiro, de perfume, fábrica de não sei o quê lá… Como as lojas pagam um dinheiro para quem leva turístas para lá, o pessoas acaba empurrando. Tenho ódio disso até hoje, eheh. Por isso, achamos melhor pagar um pouquinho mais e ter a certeza de que não cairíamos em nenhuma viagem estranha, e deu certo!

O trecho do muro foi reconstruído recentemente, a uns 10 anos, e deve ter uns 7km a 14km, eu realmente não me lembro. Mas boa parte tem escadas, e é muito mais cansativo do que eu imaginei. Fomos até o fim da parte restaurada e andamos um pouco sobre o muro que não estava renovado. Um muro desses é feito de argila e areia no centro e tijolos na casca: não dura muito muitos séculos sem receber uma reconstrução a cada duzentos anos, eu acho.

O cenário é bacana: tem umas montanhas de pedras diferentes de qualquer outro lugar. E fiquei imaginando o frio que um sentinela sentia durante um período de guarda em uma destas torres.

Ah, a subida pode ser feita de bondinho e a descida de tobogã. Escolhemos descer de tobogã. Foi bem legal! Eventualmente eu subo o vídeo da descida.

No final comemos um almoço tipicamente chinês: mesa grande com vários pratinhos no centro para serem divididos. Nada picante e nenhum prato com carne de porco ou de boi. Eu comi pra caramba. Foi a primeira vez que comi bem por aqui sem ter ido a um restaurante internacional. Perguntei para o guia: “essa comida é típica de qual região da China?”.

Guia: “Essa comida deve ter tido origem no sul, mas hoje em dia ela é tão difundida que é a comida típica de toda a China.”

Eu: “Então se pode encontrar dessa culinária em qualquer parte da China?”

Guia: “Sim, em qualquer lugar”

Eu: “Não nos restaurantes que eu passei…”

É, eu preciso rever a maneira de escolher os restaurantes de comida local. Ou contratar um chinês que faça isso 🙂

Sobre a Muralha da China
O Grande Muro tem cerca de seis mil kilometros de comprimento. Na verdade não é um único muro, mas sim uma série de fragmentos que foram construídos ao longo do tempo. O objetivo era isolar a China dos povos bárbaros do norte, como os manchus e os mongóis.

A primeira vista eu achava que o muro era um sinal de poder militar, mas na verdade é o contrário, pois a China construía com medo de sofrer invasões de exércitos mais agressivos do norte.

A última dinastia que governou a China atravessou este muro vindo do nordeste: os manchús invadiram Beijing e se instalaram no poder como a dinastia Qing. Para facilitar a administração, mantiveram todo o aparato do Estado chinês: sua estrutura burocrática, seus funcionários públicos, sua língua oficial. Enquanto estiveram no poder os imperadores Qing fizeram questão de manter sua língua, roupas e costumes manchús enquanto identidade étnica da família imperial, mas nunca houve uma tentativa de mudar a língua, os costumes ou a estrutura de Estado da China.

O resultado prático é que a Manchúria passou a fazer parte da China, e continua sendo até hoje uma província. A Mongólia, do poderoso Gengis Khan, foi anexada em um movimento semelhante: depois que o filho do Gengis Khan conseguiu tomar Beijing foi instalada a dinastia Yuan e o mesmo movimento aconteceu: aos poucos a Mongólia se tornou uma província chinesa, e permaneceu assim depois da queda da dinastia Yuan. Só foi recentemente que parte da Mongólia se separou da China, mas uma grande parte dela continua sendo uma província chinesa…

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2012.03.14 Palácio de Verão e a Ópera de Pequim

É possível chegar ao palácio de verão usando a linha quatro do metrô. O palácio fica dentro de uma parque enorme. Existe uma estação bem ao norte do parque. Para variar um pouco, não é esta a entrada principal. Várias vezes fizemos a visita aos lugares percorrendo o lado contrário, o que pode ser um problema pois as coisas fecham um pouco mais cedo em função do horário de inverno. E dá nós dois correndo para ver a atracão principal quando falta poucos minutos para fechar…

Bem ao norte do parque encontramos uma rua chamada rua Suzhou. É uma réplica das ruas de uma cidade que fica próxima a Shanghai, que é conhecida como a Veneza chinesa, com vários canais e pontes bonitas.

O parque todo é marcado pela presença de um grande lago. Ao norte do lago existe uma montanha com alguns templos. Ao pé desta montanha ficam os barquinhos, que ainda não estavam operando pois o lago ainda estava com gelo demais para navegação. Fizemos uma volta completa no lago, o que deu uns cinco quilômetros de caminhada. A caminhada teria sido mais agradável se meus pés não doessem tanto com a bota que eu comprei aqui. Acontece que eu estava esperando muito mais frio do que o que está fazendo. E se a bota é uma boa opção para pisar sobre o gelo e sobre a neve, por outro lado ela machuca muito os pés durante longas caminhadas. Como eu trouxe do Brasil um tênis desconcertantemente velho, acabei jogando ele fora assim que comprei a bota. Que saudades do meu tênis velho…

No final da nossa caminhada encontramos o palácio propriamente, ou seja, os aposentos em que o imperador da China usava durante sua estadia. Não me parece razoável ter uma casa de verão tão perto da casa comum, e na mesma altitude, afinal a temperatura daqui é bem parecida com a temperatura da Cidade Proibida, onde era a residência oficial. Não é a toa que a última dinastia construiu um palácio de verão a 250km de Beijng: para ter um lugar mais fresco para se passar o calor do verão. O problema é que eles levavam sete dias para chegar lá.

A ênfase dada neste passeio é dada para a agressão estrangeira no inicio do século XX: para forçar a abertura dos portos com Inglaterra e França, os ingleses e os franceses colocaram fogo em várias construções históricas daqui. Como a maioria era feita de madeira, pouco sobrou das construções, mas algumas foram reconstruídas.

De noite fomos ver a Ópera de Pequim em um show bem turistão, mas que pelo menos tinha legendas em inglês. Depois eu liguei a TV em um canal que só passa ópera tradicional chinesa, e me pareceu que o show que vimos foi bem feito. Eu quase não falo nada de chinês, mas pelo pouco que acompanhei, me parece que os textos usam um chinês mais antigo. Será só impressão minha?

O jeitão de cantar as falas é bem característico. A apresentação que vimos teve cinco mini histórias. A que achei mais dramática mostra um oficial de um exército chegando em casa depois de perder uma batalha para os Han. Han é o nome da maior etnia chinesa: 90% das pessoas é Han. A esposa dança para o oficial para que ele se sinta bem. No final da dança um soldado avisa que eles estão cercados pelos inimigos. O oficial manda a esposa lhe acompanhar na batalha pois ele vai protege-la. A reação dela é dizer que uma mulher no campo de batalha seria muita distração, e que ela não deveria atrapalhar. Em um momento de falta de atenção dele ela apanha a sua espada e se mata.

Parece bobinho? Talvez. Mas eu achei dramático, no bom sentido, claro.

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2012.03.12 B Resort de Verão de Chengde

O muro deste lugar tem dez kilometros de comprimento! Dentro tem uma floresta usada para a prática da caça. Esta floresta deve ocupar 90% do espaço. O restante era ocupado por lagos, ilhas e várias construções que incluíam a residência imperial de verão e outros prédios usados para trabalho da corte.

O Lonely Planet diz que “a melhor maneira de se conhecer as ilhas é fazendo um passeio de barco”. Bem, isso não foi possível porque o lago ainda estava congelado, para nossa surpresa. Eu nunca tinha visto um lago congelado, e a única imagem que me vinha na cabeça era uma cena de um filme em que uma pessoa caía dentro da água e era puxado rio abaixo, na parte de dentro do gelo, eheh. Mas quando eu vi quatro adultos juntos cuidando de três crianças de uns dois ou três anos de idade sobre o laguinho eu criei coragem para andar no gelo também. Apesar de ser um pouco escorregadio algumas pessoas pegavam atalho sobre o gelo para ir de uma ilha a outra. Também fizemos isso: nem tanto pelo atalho em si 🙂

Os jardins de pedra passaram a fazer sentido depois que visitamos o Jardim da Gruta do Leão, aquele da foto onde a Ana Paula está na ponte branca, com gelo em baixo e pedras em frente: durante os meses em que neva muito e que a temperatura raramente fica positiva, nenhuma flor ou verde sobra nos jardins tradicionais. Nessa época deve ficar ainda mais bonito o jardim de pedra. Imagine essa cena com um pouco de neve sobre as pedras… Outra coisa legal é que a água vira um caminho, e algumas partes na gruta podem ser alcançadas a pé.

Uma boa parte das construções sofreram um incêndio em 1945 e simplesmente não foram reconstruídas: só se encontra a base de pedra. Outras ainda estão lá. Na entrada principal temos o palácio principal que serviu de residência imperial. Lá foram assinados os “unequal treaties” com países ocidentais, durante a “imperatriz” Cixi. Essa época é retratada como o declínio na dinastia Qing, uma época de humilhação ao povo chinês, que foram obrigados a ceder tarifas alfandegárias para países europeus, além de ceder bairros para moradia de estrangeiros em cidades como Beijing e Shanghai. A venda do ópio também foi imposta durante esse período.

“Enquanto a corte desfrutava das belezas do resort de verão o nosso povo era humilhado”, dizia um quadro dentro dopáramos principal. Dessa forma o discurso oficial retira o crédito da ultima dinastia, que não merecia mais governar. Para se estabelecer como imperador é necessário ter o Mandato dos Céus: as pessoas devem acreditar que existe uma força sobre humana que queira que fulano ou beltrano seja imperador da China. A humilhação chinesa seria então um sinal de que a dinastia Qing perdera o Mandato dos Céus.

O jardim como um todo é muito bom para se passear. Encontramos bastante gente fazendo caminhadas ou mesmo passeando com passarinhos nas gaiolas. Apesar da entrada ser cara para os turistas, moradores da cidade podem entrar apresentando a carteira de identidade.

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2012.03.12 A Templo Puning

Uma estatua gigante de um Buda guardado dentro de um prédio, ambos de madeira. Este é o principal atrativo do Templo Puning (Puningsi, 普宁寺) que é um dos templos construídos nas vizinhanças do resort de verão (bishu shanzhuang, 避暑山庄). Infelizmente não é possível tirar fotos da estátua, e mesmo se fosse possível a iluminação não permitiria tirar uma foto razoável. Então eu só vou postar as fotos do exterior…

Vimos alguns monges rezando, além de muitas pessoas acendendo incenso e venerando as divindades. Lá no fundo tem uma barraquinha que vende cadeados: você pode pedir para gravar o seu nome e alguma outra palavra, tipo “paz interior” ou “felicidade”, ou gravar o nome do casal. Os cadeados são presos pelos turistas nas correntes que ladeiam o caminho até o muro norte. Haja cadeado!

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2012.03.11 Trem para Chengde, Templo Putuozongcheng

Fomos para a cidade de Chengde viajando em um trem que percorre 250km em quatro horas e meia. Fizemos a compra do bilhete de ida e volta na estação central de Beijing em uma bilheteria que atendia em inglês. Durante a viagem foi possível notar como o rio ia ficando gradativamente mais congelado por Chengde é uma cidade mais fria. Por sinal este foi o motivo da dinastia Qing ter construído aqui um resort de verão (bishu shanzhuang, 避暑山庄): para fugir do calor da capital.

A dinastia Qing foi a ultima dinastia chinesa e teve origem manchu, que é a região nordeste da China que faz fronteira com a Coréia e com a Rússia. Sinceramente nós esperávamos encontrar uma cidade pequena, tipo Campos do Jordão, com ruas pequenas, pouca gente… Não foi nada disso. Logo na chegada pode se ver uma quantidade enorme de gruas das construções de torres de apartamentos e escritórios. O crescimento econômico chinês é visível na construção civil. Mesmo o centro da cidade está repleto de construções.

O Ming’s Dinasty Hostel fica a uns dez minutos de caminhada da estação central de trem, e o proprietário foi bastante solicito em nos ensinar como se deslocar por Chengde, quais ruas ir, quais ônibus tomar, onde comer. O celular com mapa e GPS ajudou um bocado também. Pena que a bateria não dura o suficiente, o que vai gerando um baita stress no final do dia 😮

O Palácio de Verão é um espaço gigantesco cercado por muro que envolve uma floresta destinada a caça, no lado oeste, e um lago no sudeste com ilhas e várias construções e jardins. Fora desse espaço murado foram construídos doze templos com propósito diplomático: o imperador fazia uma homenagem a integração dos povos que compunham a China.

Visitamos o Templo Putuozongcheng que é inspirado no Templo Potalaka que fica em Lhasa, capital do Tibet. Construído no alto de uma colina o templo é o mais impressionante de se ver de longe. Além do prédio principal existem vários prédios menores feitos em estilo tibetanos, com janelas em formato de trapézio.

Por toda a cidade encontramos vestígios de neve e gelo: eu achei bem engraçado ter água congelada no chão, mas é importante ter cuidado quando se está andando para não escorregar. Como estamos andando de bota o perigo de leva um tombo é menor. Uma diferença com Beijing é que aqui é mais comum as pessoas ficarem olhando para mim por conta da minha aparência. Em geral ficam olhando fixamente, alguns olham sorrindo e um ou outro arriscam um “hello”. E olha que nem estamos em uma cidade pequena.

Fomos jantar em um restaurante de churrasco. Parecia churrasco coreano. O menu estava em chinês, mas as fotos ajudaram bastante. Só não conseguimos pedir verduras, pois não tinha foto de nenhuma delas. Um dos garçons vinha até a nossa mesa e ria da cara da Ana Paula quando via que ela não conseguia arriscar uma só palavra em chinês. A coca cola veio sem gelo. Aliás, é bem raro alguém servir bebida mais gelada que a temperatura ambiente. Por exemplo, quando a gente sai de manhã do hostel com alguma garrafa de chá ou de água a gente fica andando por, digamos, uma hora e pronto: temos bebida gelada 😉

Tomar banho a noite foi uma experiência e tanto pois o banheiro fica fora do quarto e é preciso atravessar o quintal de uns 25 metros, sem cobertura, para tomar banho. Não é tão ruim quanto parece, mas dá muita raiva chegar lá e descobrir que se esqueceu a escova de dentes no quarto. Eu acho que no início da noite estava fazendo perto de zero grau.

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2012.03.10 B: Mansão do Príncipe Gong e Beihai

A Mansão do Príncipe Gong fica no meio das hutong entre Beihai e os lagos mais ao norte. Uma vez que serviu de residência imperial, a estrutura dos prédios não é muito diferente da Cidade Proibida. Aqui tem menos cômodos abertos ao público, e muitos são lojinhas ou exposição de artistas contemporâneos.

O mais interessante aqui é o jardim que fica ao norte, com lagos e muitas pedras. As pedras têm um papel importante nos jardins chineses. Como estamos no final do inverno as plantas ainda não se animaram em desabrochar. Ficamos com os lagos, as pedras e os corajosos patos que entram na água mesmo com todo o frio que está fazendo.

Saindo da Mansao, mais ao sul, fica o Lago norte, Beihai (北海), que é um lago gigante que fica a oeste da cidade proibida. Entramos no muro norte onde existe um jardim botânico bem charmosinho, meio labiríntico. O lago principal é tão amplo que gera um vento forte que levanta algumas marolinhas na água. Andar sem uma jaqueta corta vento deve ser difícil.

Lá no meio do lago tem uma ilha com uma adaba branca em estilo tibetano, construído em homenagem ao Dalai Lama pelo imperador da China alguns séculos atrás. O Tibet faz parte da China faz um bom tempo, e o movimento separatista que existe hoje surgiu como reação dos senhores de terra tibetanos que não aceitaram a reforma agrária da República Popular da China por volta de 1950. Do alto da adaba branca é possível ver um pouco da cidade proibida e os condomínios dos políticos de alto escalão, logo a oeste. É como morar perto do Central Park, eu acho.

A experiência culinária de hoje envolveu comer Baozi (包子), um pãozinho branco com recheio e cozido no vapor. Paguei o mico de ficar uns dez minutos consultando o dicionário para só depois descobrir que havia um menu em inglês: as olimpíadas 2008 mudaram bastante essa cidade, felizmente. Ainda assim demoramos tanto para pedir que a fila triplicou atrás de nós: a mulher do caixa foi muito paciente 🙂

Comemos baozi de legumes, cogumelos e carne bovina, além de um pratinho de raiz de lótus no leite de soja de laranja: tudo gostoso.

Depois descobrimos um mercado grande mais ou menos perto do hostel. Atrás de uma porta dupla, mas discreta, descendo ao subsolo, um mercado grandão! Como seção de eletrodomésticos e tudo. Aos poucos estamos entendendo a estrutura da cidade. Em cima deste mercado, no térreo, e também meio escondido, um espaço grande com vários lojinhas vendendo roupas, eletrônicos, feira de vegetais e peixes vivos. A sociedade chinesa é tão distante culturalmente da brasileira, que às vezes eu acho mais divertido andar nessas lojinhas do que visitar uma residência imperial antiga.

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