Konrad-Adenauer e Cursos de Política

Hoje estive em uma reunião no Instituto do Legislativo Paulista (ILP) com o presidente do ILP e a equipe da Fundação Konrad-Adenauer Stiftung para tratar de uma possível parceria em cursos sobre ciência política.

O presidente do ILP, Eduardo Lamari, vêm trabalhando para pôr em prática um Curso de Iniciação Política. O conteúdo do curso foi cedido pela Fundação Mario Covas e a Assembleia Legislativa já imprimiu várias cópias da apostila deste curso. Infelizmente encontramos limites financeiros para colocar este projeto em ação: a Assembleia conta com um orçamento bastante limitado este ano, o que impede a contratação de professores para este curso. A parceria com a Fundação alemã viria resolver esta questão, além de trazer cursos mais específicos sobre a democracia.

A Konrad-Adenauer é uma fundação alemã que produz estudos de excelente qualidade sobre democracia. Foi uma das principais referências nos estudos de Sistema Partidário que tive com a Prof. Maria D’Alva Kinzo, na USP. Essa parceria que deve se concretizar nos próximos meses deve resultar em Cursos de Iniciação Políticas aos cidadãos do nosso Estado, especialmente aos jovens, além de cursos sobre partidos políticos e democracia destinado a um público mais engajado tanto na política quanto nas faculdades.

Aposentadoria do Fidel Castro

Fidel Castro charutando

O Fidel Castro pediu aposentadoria esta semana, gerando uma reação pelos jornais em geral. Apesar do Fidel demonstrar uma enorme preocupação com a igualdade dos indivíduos, ele é um dos maiores ícones do autoritarismo na América Latina. Como um bom democrata, resolvi fazer uma comemoração à liberdade levando um charuto cubano para o ILP que fumei com o Lamari e a Mayra. E escolhi compartilhar o charuto com os dois pois o Lamari é o meu colega que mais preza a liberdade, e a Mayra é aquela que certamente mais preza a igualdade :)

Lamari com charuto e Lia BaraúnaMayra com o charuto cubano
Lamari e Mayra charutando por Cuba: o charuto é o mesmo mas os motivos são diferentes

No livro Da Democracia na América, Alexis de Tocqueville descreve maravilhado um sistema político onde os valores de igualdade e liberdade são fortemente enfatizados. É difícil concordar com Tocqueville hoje dia, quando o sistema norte-americano encontra tantos problemas de representação de minorias, como os negros, e forte influência do capital de grandes empresas, como a Enron. A democracia deveria servir ao bem estar dos indivíduos, e não às corporações que financiam as eleições.

Mas existe uma consideração interessante neste livro sobre liberdade e igualdade. Tocqueville considera ambos valores igualmente importantes, mas teóricamente a igualdade lhe parece mais importante em um primeiro momento, pois segundo Tocqueville, em uma sociedade onde exista liberdade absoluta e nenhum dispositivo para tornar os homens iguais, os mais fortes irão excercer algum tipo de dominação sobre os mais fracos (ou pobres). Já em uma sociedade onde exista igualdade total, a tendência é que exista uma liberdade total, pois não havendo diferença entre os homens não existe dominação, nem a privação da liberdade do mais forte para com o mais fraco… Resumindo: muita liberdade gera desigualdade. Muita igualdade gera liberdade.

Nesse sentido o Fidel é justificado: suprimir toda a liberdade do indivíduo em nome de uma pretensa igualdade total vale a pena pois no limite isso liberta o homem. São considerações teóricas, pois em geral se limitam ao aspecto econômico da vida em sociedade, e considera limites teóricos para lá de questionáveis, afinal o que raios é liberdade total, ainda que nos limitemos ao aspecto econômico dessa consideração?

Felipe Gomes charutandoTeorias a parte, eu torço por sistemas políticos abertos à participação de algum tipo de oposição real, onde aqueles que discordem da ordem política possam lutar como Lula, dentro do próprio sistema eleitoral, e não como Fidel e Guevara, pela luta armada. Isso gera situações dramáticas como guerras e tortura. Não posso concordar. É por isso que comemorei essa pequena perspectiva de liberdade política, que desejamos ver com o afastamento de Fidel do poder.

Por fim, ficou aquele gosto estranho de charuto na boca: não tenho nenhum costume de fumar, mas valeu pela firula. Da próxima vez espero poder servir um Cuba Libre.