educação

Sonhos com Xanghai

Este vídeo é um diálogo entre pai e filha do filme Sonhos com Xanghai.

Recortei esse trecho para falar sobre a valorização da educação no oriente. Países como Coréia, Japão e China tem essa característica: a educação é levada verdadeiramente a sério.

O impacto desse traço na cultura política de uma nação é o seguinte: as pessoas estudam mais, se tornam trabalhadores melhor qualificados e produzem mais. Assim a produção tende a aumentar, com ela melhora a economia, e se nada atrapalhar, melhora a felicidade e bem estar geral das pessoas.

Seria legal descobrir uma forma de promover a valorização do estudo entre os paulistas e os brasileiros…

Algumas Coisas Sobre a China

A escrita tradicional (中國) e simplificada (中国) da palavra "China"Hoje foi o último dia dos Jogos Olímpicos e por isso resolvi falar de algumas coisas que acho interessante sobre a China.

De cada cinco pessoas no mundo, uma delas é chinesa. Apesar dessa proporção ser grande eu pouco ouço falar sobre o modo de vida de lá. Não é curioso?

Aparentemente existe uma valorização da educação formal muito maior naquele país do que no Brasil. Eu ainda não tive contato suficiente com literatura, filmes e seriados chineses para confirmar isso, mas aparentemente é o caso. Uma vez eu li algo a respeito em um livro de Paul Kennedy: Ascenção e Queda das Grandes Potências. Kennedy argumentava que nos EUA não se valoriza muito o preparo técnico formal, e que isso prejudica a economia de um país ao longo prazo. Qual será o peso que a valorização do ensino tem na atual prosperidade chinesa?

Em relação ao nome, os chineses chamam o seu Estado, a sua nação, de “Estado Central”, cuja pronúncia em mandarim é Zhōngguó (中国). O nome “China” que nós ocidentais damos para o “Estado Central” é um nome que os estrangeiros criaram se baseando no nome da dinastia Qin. Da mesma forma, não existe uma língua chamada chinês. A língua oficial na China é o mandarim de Pequim, e existem diversas outras línguas e dialetos falados dentro da China. Somente do mandarim existem oito dialetos…

Existem duas Chinas… Com o fim da II Guerra Mundial duas grandes frentes disputaram o poder interno. A frente de direita era liderada por um oficial do exército chinês que segundo a história tinha interesses de fundar uma nova dinastia. A frente de esquerda era mais voltada às ideologias de Confúcio onde o interesse coletivo deve prevalecer sobre o interesse individual. Em um mundo polarizado entre EUA e URSS a frente de esquerda se identificou com o comunismo da URSS e a frente de direita se identificou com o liberalismo econômico dos EUA. Na China continental a esquerda ganhou o controle de todo o continente (República Popular da China), e o grupo de direita ficou com a China que conhecemos hoje como Taiwan (República da China). Mas até hoje ambos Estados reclamam ser o verdadeiro governo central…

obs: quando a China se fechou para o mundo, logo após a revolução cultural, eu acho que estava patente que a China não era nem alinhada à União Soviética ou aos Estados Unidos. Ainda hoje as pessoas olham para aquela direção e acham que eles são comparáveis aos russos, o que é um grande engano.

Na China não se usa o alfabeto romano. O mandarim é escrito usando um alfabeto muito antigo chamado kanji. No Brasil nós chamamos este alfabeto de ideograma, pois cada letra costuma representar uma idéia. O kanji também é muito usado no Japão e nas Coréias, mas nestes dois países existem alfabetos auxiliares que são mais fáceis de se usar. O kanji tem milhares de letras. Para ser considerado alfabetizado um chinês deve conhecer mais de dois mil ideogramas!

Em mandarim existem cinco entonações diferentes para cada vogal que conhecemos. Assim uma simples sílaba pode ser pronunciada de cinco maneiras diferentes! A palavra “ma” pode significar mãe, xingar, cavalo, maconha ou uma preposição de pergunta, dependendo da entonação. Então a frase “mamãe xingou o cavalo?” pode ser facilmente confundido com “o cavalo xingou a mamãe?” por alguém que não tenha o ouvido treinado 🙂

A China é uma enorme república onde existe praticamente um único partido: o Partido Comunista Chinês. Os chineses se orgulham de ter o partido com o maior número de militantes no mundo. Apesar de ser o partido hegemônico, duas coisas me chamam a atenção: (1) existe um sentido republicano mais forte no Partido Comunista Chinês do que na maioria dos partidos brasileiros. Em outras palavras o partido não se mistura com o governo em termos de estrutura ou de orçamento; (2) existem outros partidos menores na China em plena liberdade de funcionamento, apesar das notícias da imprensa ocidental. O chinês médio costuma entender que a sua nação é a maior democracia no mundo. Essa informação deve surpreender a qualquer ocidental que tem sua visão de mundo feita por notícias distribuídas pela Reuters, American Press ou France Press (a grande maioria das notícias que lemos no Brasil vem de uma dessas fontes, seja qual for o jornal ou revista). O ponto de vista oposto é o da agência chinesa Xinhua. Não sei se é idôneo, mas é muito útil para comparar com o que costumamos ler.

Mas isso é muito bom para demonstrar que o sentido de democracia é muito vago. Muitos consideram os EUA muito democráticos, mesmo que o seu processo político se baseie em dois partidos (limitação de escolha) e que a eleição se baseie fortemente em financiamento de grandes corporações (predominância do capital sobre o indivíduo). Os brasileiros também se acham muito mais democráticos que a China. Eu questiono isso. Veja só: até hoje eu não dei uma palavra sequer sobre as eleições municipais de São Paulo, pois tenho medo de ser penalizado com uma multa pelo Estado brasileiro. Hoje declarar apoio no meu blog pode me gerar uma multa de até R$ 24.000,00 para mim e mais outros R$ 24.000,00 para o candidato, além de poder haver cancelamento da elegibilidade do candidato. Parece que estou exagerando? Pois eu e mais um jovem do PSDB abrimos um blog para divulgar notícias do candidato do nosso partido e poucos dias depois um assessor do candidato nos convidou para uma reunião e expôs o problema pedindo que retirássemos a página do ar. Então eu acho muito hipócrita dizer que a China não é do bem por que tem um determinado número de partidos no poder… As críticas à política chinesa que fazem sentido se restringem a violação de direitos humanos, mas o assunto não é tratado com respeito pela mídia ocidental.

Crianças com a Bandeira Chinesa

A China possui muitas etnias, e nos jogos olímpicos fez questão de valorizar todas estas etnias. Na abertura dos jogos foi possível ver 56 crianças vestidas com roupas típicas, representando cada uma destas etnias. É um sinal positivo. Muitos países valorizam suas minorias étnicas, como a Suíça. Outros estados, como os EUA, têm medo das minorias. Recentemente o governo Bush tornou ainda mais difícil a entrada de imigrantes latinos, e até de turistas, atendendo a um clamor eleitoral de extrema direita de manter a maioria branca. Os jornais ocidentais criticaram o fato das crianças serem todas da etnia da maioria, a etnia Han. É uma representação. Sem comentários.

Funcionalismo Público

Eu ainda não sei bem mas me parece – até onde eu posso deslumbrar – que o funcionalismo público teve muitos dos seus princípios vindos da China. Confúcio e Zhuge Liang são dois nomes de referência sobre o assunto, pois ambos deixaram um forte legado moral e ético sobre o serviço público. Notei isso assistindo a uma novela coreana de 2004 cujo título é 낭랑18(Sweet 18). Nela o protagonista é um funcionário público sul coreano: um promotor público que luta no combate à corrupção. Por diversas vezes é citado Zhuge Liang, um herói chinês. Sua atuação remete ao período dos Três Reinos que antecederam a China unificada. Busquei três citações nos dois primeiros capítulos da série:

"Inacabada obra a restauração de Han, o último rei falecera. Nosso castelo agora está revestido com a mais terrível condição."

 

Segundo o seriado a citação faz parte do livro “Petição para Confronto em Batalha”, mas eu não encontrei nenhuma citação a este livro na internet. Provavelmente é do livro Chū Shī Biǎo (出師表) que Zhuge Liang escreveu antes da batalha do norte, e contém várias recomendações sobre a guerra além de princípios morais que deveriam guiar o governo do imperador Liu Shan.

 

Nessa cena o avô do chama a atenção do neto com uma citação de Confúcio. A fala do Avô:

“Confúcio disse que as pessoas escolhem suas palavras cuidadosamente porque elas têm medo de sustentar suas próprias palavras. Como você pode falar dessa maneira quando você é um funcionário público?”

O avô do promotor Kwon cita outro provérbio tradicional à mãe da noiva, quando toma conhecimento de que o promotor cancelou o casamento:

“Não é apropriado para um cavalheiro voltar atrás com sua palavra”

Alguns valores modernos do funcionalismo público ocidental teriam sido trazidos, em parte, pelos ingleses quando estes chegaram à China no auge do império britânico. Como a Inglaterra tinha um domínio de fato sobre o Reino Português, parte desses valores teriam sido assimilados por aqui também. Quem dera a contribuição moral de Confúcio e Zughe Liang fossem maiores no Brasil: certamente teríamos serviços públicos de melhor qualidade.

Quer saber mais? CHINAKNOWLEDGE – a universal guide for China studies

Celular Sem Operadora

Telefone celular com capa de bananaOntem o Sergio Amadeu escreveu em seu blog um post com um título tentador: “Celular Sem Operadora: Seria Viável a Gratuidade na Comunicação?”. Trata-se de uma idéia que o próprio Sérgio Amadeu já tinha levantado anteriormente ainda que de forma um pouco diferente. Na matéria que publicou ontem ele descreve uma comunicação que seria feita entre o telefone celular e uma rede sem fio pública, oferecida pelo Estado. O Estado ofereceria acesso gratuito ao cidadão que possui um celular com capacidade de se conectar a internet e as ligações seriam feitas sem custos para outros celular ou computador também ligado a internet.

Hoje em dia os celulares com tecnologia suficiente para realizar tal proeza em wi-fi não sai por menos de R$ 950,00 sem o subsídio da operadora de celular. Em outras palavras, se depender do custo de mercado hoje somente uma faixa bem restrita de cidadãos poderia se beneficiar de um serviço como esse. Mas algum dia no futuro os celulares poderão vir com esse recurso por um preço realmente acessível.

Mas o que me chamou a atenção mesmo na matéria foi a seguinte provocação do Sérgio Amadeu:

Aí vêm a turma do Kptal perguntando: quem paga? é gratuito?

Trabalhador usando telefone celularVou responder como colega: ainda que eliminássemos a moeda das relações sociais o oferecimento de tal rede geraria trabalho humano. E quem deveria trabalhar para que todos usufruam do serviço?

Agora com termos um pouco menos marxistas: para montar uma rede dessas, manter o link e os equipamentos em funcionamento é necessário dinheiro. Se esse dinheiro for pago pelo Estado então ou sobrará menos dinheiro para outros serviços públicos ou o contribuinte pagará mais dinheiro ao Estado. Qualquer explicação diferente é quimera. O fato que o dinheiro do Estado que deve ser utilizado para oferecer transporte, saúde e educação passaria a ser gasto também com comunicação.

Agora eu devolvo a bola: é justo que o Estado e o contribuinte custeie a comunicação do cidadão? Minha opinião é que é injusto, pois o maior beneficiário hoje seriam os mais ricos, e eu acho injusto o Estado beneficiar aos ricos em detrimento dos mais pobres.

Políticas de Ensino Superior

Abertura do Seminário Ensino Superior numa Era de Globalização

Aconteceu nesses dias 3 e 4 de dezembro um seminário sobre ensino superior na Fapesp e eu estive envolvido por meio do Instituto do Legislativo Paulista (ILP). O seminário foi realizado pela Assembléia Legislativa (Alesp) em conjunto com a Fapesp e dois núcleos de pesquisa da USP. O presidente da Alesp, deputado Vaz de Lima, se demonstrou bastante comprometido com o seminário que deve influenciar fortemente as políticas de ensino superior do Estado.

Me senti particularmente estimulado em participar deste seminário pois os estudos apontam para um modelo de ensino superior que havíamos defendido na juventudo do PSDB e no Congresso Estadual do PSDB em Praia Grande faz alguns meses. O Congresso é o espaço onde o partido decide quais são as teses que vão direcionar as ações políticas em geral. Neste caso defendemos uma melhoria na política do ensino superior, que poderia ter uma atuação mais relevante na formação profissional e no desenvolvimento de inovações tecnológicas que levem nossos produtos a um patamar de competitividade internacional.

Hoje o Estado trata faculdade como ambiente de pesquisa e não como uma oportunidade para criar profissionais para o mercado de trabalho e melhorar a nossa economia. As expectativas da sociedade na verdade não são atendidas. Porque para a grande maioria das pessoas o mais importante não ter a melhor faculdade da América Latina na sua cidade ou no seu estado. O mais importante para o cidadão é saber que na sua cidade ou no seu estado existem oportunidades reais para que o seu filho possa se formar em uma instituição de ensino superior adequada e enfrentar o mercado de trabalho com dignidade.

O caso de sucesso analisado foi o Masterplan do estado Califórnia. A idéia é que uma parcela relativamente pequena, de cerca de 10% dos estudantes de ensino superior no estado tenham acesso aos cursos de pesquisa. São estudantes que têm pretensões de se tornarem professores, pesquisadores ou profissionais com especialização acadêmica. Os demais alunos ficariam em faculdades voltadas ao ensino mas sem pretensão de pesquisas acadêmicas. Cursos com esta características podem inclusive ter uma duração menor, o que de fato acontece na Califórnia, onde a legislação facilita a existência destes cursos. Adaptando para o cenário brasileiro, seria como ampliar a oferta de cursos de tecnólogos, com duração menor que os cursos tradicionais. Na Califórnia 80% dos alunos que se formam no ensino médio ingressam diretamente nos cursos de pequena duração, 10% vão para cursos de pesquisa e outros 10% vão para cursos regulares de 4 ou 5 anos de duração, mas sem foco em pesquisa.

Eu vejo duas vantagens em diversificar os investimentos em ensino superior da maneira exposta acima. Em primeiro lugar, manter um ensino superior de qualidade como o que temos em São Paulo é muito caro, e impossível de se estender a toda a população de possíveis alunos. Defender a manutenção do sistema como ele se encontra hoje é uma postura elitista, pois somente os mais ricos tem condições reais de receber um ensino superior no modelo atual. Em segundo lugar eu acredito que um modelo diversificado é melhor para os alunos, que na maioria das vezes não querem e não precisam de um preparo em uma instituição de excelência em pesquisas.

Quando eu entrei na Faculdade de Ciências Sociais da USP quase todos os colegas ficavam angustiados sobre o seu futuro profissional; porque a maioria tinha entrado para o curso pensando em alguma atuação no mercado, ou como professor de escola, ou como funcionário público, mas a pressão do meio acadêmico para que cada aluno se torne um pesquisador era muito grande. Não é a toa que dos 210 alunos que ingressam todos os anos neste curso, somente cerca de 40 conseguem terminar o curso. No curso de filosofia a taxa de desistência é ainda maior.

As apresentações do seminário foram muito interessantes, oferecendo um amplo quadro comparativo das políticas públicas de ensino superior em diversos países. Da palestrante Wan-hua Ma, da China, veio um alerta importante que vale tanto para a China quanto para o Brasil. Nos últimos dez anos o Brasil dobrou a oferta de vagas para a faixa de jovens formados no ensino médio. Quando ampliamos a oferta de vagas em um ritmo tão acelerado, precisamos tomar cuidado com a qualidade dos cursos que estão sendo ofertados. No Brasil 90% das vagas são oferecidas pela iniciativa privada, que deve receber critérios claros de atuação e receber uma fiscalização efetiva por parte do Estado. O outro ponto de fragilidade, talvez este muito mais preocupante pois amplia bastante o debate, é a qualidade dos alunos que se formam no ensino médio. Uma boa instituição de ensino não se faz somente com bons professores, mas acredito eu que principalmente de bons alunos.

Por fim quero apresentar minhas satisfações com os organizadores deste eventos, em especial o prof. Guilhon Albuquerque e a profª. Elizabeth Balbachevsky e me por a disposição para continuar demonstrando apoio a este modelo de ensino que poderá melhorar a vida de muitos jovens paulistas se implementado.

Ainda Sobre a Ocupação da Reitoria da USP

A reitoria da USP continua ocupada por alunos da universidade. Se compararmos com outros governo, o governo de José Serra tem um perfil mais firme, ou autoritário como prefere a oposição. A postura radical do movimento estudantil não é novidade, mas a postura mais firme do governo pode gerar uma relação conturbada pela radicalização dos dois lados. Dos manifestantes eu não espero posso esperar muito, pois são jovens. Espero que o governo demonstre sabedoria para negociar e resolver.

O Alexandre Gracioso escreveu em seu blog: Se os alunos não se deixassem levar pelos ardores ideológicos dos professores jurássicos da FFLCH

Não é bem assim, Alexandre. Eu estudei Ciências Sociais na FFLCH, e o perfil médio dos professores não é o professor decadente, barbudo e militante de ultra esquerda. No departamento de Ciência Política, onde tive maior vivência, eu me surpreendi com a quantidade de professores simpáticos à social democracia, por exemplo. Mas a maioria esmagadora não declara apoio a nenhum partido; é o tipo de coisa que não vale a pena para um acadêmico.

O princípio de diminuir a autonomia acadêmica não é tão absurdo assim quanto a universidade faz parecer. Tanto alunos quanto professores protestam, e de certa forma eles têm razão: querem defender um benefício que é a autonomia. Todos os anos o Legislativo aprova um orçamento para o ensino superior no Estado de S. Paulo, e as universidades gastam esta verba como bem entendem, sem consultar e sem prestar contas a ninguém.

Em uma analogia grosseira seria como uma família, em que o pai dá dinheiro para o filho estudar e o filho nunca é cobrado sobre como está gastando o dinheiro. Pior: se o pai aborda o filho sobre como andam os estudos, este reaje de maneira exagerada, dizendo que o pai é controlador e tal.

A Universidade argumenta que somente a própria Universidade pode decidir os rumos da educação superior no Estado e por isso o Legislativo, que representa a vontade da maioria, não deve participar do orçamento interno das universidades. Ou seja, a universidade recebe o dinheiro do contribuinte, e se nega a prestar contas de como este dinheiro é gasto. Parece grosseiro, mas o meio acadêmico acha que deve ser assim mesmo. Aliás o meio acadêmico também acha que o mesmo contribuinte deveria contribuir mais com a Universidade.

A professora Elizabeth Balbachevsky tem uma teoria sobre Ciência e Tecnologia que eu acho interessante. Segundo Balbachevsky quando a universidade investe mais em ciência aplicada os setores produtivos são impulsionados e têm ganho de produção. Logo a produção de bens tende a aumentar. Por outro lado a ciência não aplicada não tem esse tipo de impacto direto na economia.

Se a direção do governo é aumentar a transparência nos gastos do ensino superior, isso por si só já é positivo. Por aí eu já discordo das manifestações que ocorrem hoje na usp.

Se posteriormente o governo, ou o legislativo, decidirem intervir na maneira de destinar dinheiro ao ensino superior, destinando mais verba para a ciência aplicada no Estado de S. Paulo, isso certamente vai aumentar a possibilidade de ganhos produtivos, melhor competitividade do nosso setor produtivo, maior produção, menor desemprego, certamente maior arrecadação.

Esse assunto diz respeito a Universidade, mas diz respeito ao Legislativo decidir os rumos do ensino superior em São Paulo. Afinal a conta é paga pelo contribuinte.

A Tese do Coelho

Num dia lindo e ensolarado o coelho saiu de sua toca com o “notebook” e pôs-se a trabalhar, bem concentrado. Pouco depois passou por ali uma raposa, e viu aquele suculento coelhinho tão distraído, que chegou a salivar. No entanto, ela ficou intrigada com a atividade do coelho e aproximou-se, curiosa:

– Coelhinho, o que você está fazendo aí, tão concentrado?
– Estou redigindo a minha tese de doutorado, disse o coelho, sem tirar os olhos do trabalho.
– Hummmm… e qual é o tema da sua tese?
– Ah, é uma teoria provando que os coelhos são os verdadeiros predadores naturais das raposas.
A raposa ficou indignada:
– Ora! Isso é ridículo! Nós é que somos os predadores dos coelhos!
– Absolutamente! Venha comigo à minha toca que eu te mostro minha prova experimental.
O coelho e a raposa entram na toca. Poucos instantes depois ouvem-se alguns ruídos indecifráveis, alguns poucos grunhidos e depois… silêncio. Em seguida, o coelho volta, sozinho, e mais uma vez retoma aos trabalhos de sua tese, como se nada tivesse acontecido.
Meia hora depois passa um lobo. Ao ver o apetitoso coelhinho tão distraído, agradece mentalmente à cadeia alimentar por estar com o seu jantar garantido. No entanto, o lobo também acha muito curioso um coelho trabalhando naquela concentração toda e resolve então saber do que se trata aquilo tudo, antes de devorar o coelhinho:
– Olá, jovem coelhinho. O que o faz trabalhar tão arduamente?
– Minha tese de doutorado, seu lobo. É uma teoria que venho desenvolvendo há algum tempo e que prova que nós, coelhos, somos os grandes predadores naturais de vários animais carnívoros, inclusive dos lobos.
O lobo não se conteve com a petulância do coelho:
– Ah! Ah! Apetitoso coelhinho! Isto é um despropósito. Nós, os lobos, é que somos os genuínos predadores naturais dos coelhos. Aliás, chega de conversa…
– Desculpe-me, mas se você quiser eu posso apresentar a minha prova experimental. Você gostaria de acompanhar-me a minha toca?
O lobo não consegue acreditar na sua boa sorte. Ambos desaparecem toca adentro. Alguns instantes depois ouvem-se uivos desesperados, ruídos de mastigação e… silêncio. Mais uma vez o coelho retorna sozinho, impassível e volta ao trabalho de redação da sua tese, como se nada tivesse acontecido.

Dentro da toca do coelho vê-se uma enorme pilha de ossos ensangüentados e pelancas de diversas ex-raposas e, ao lado desta, outra pilha ainda maior de ossos e restos mortais daquilo que um dia foram lobos. Ao centro das duas pilhas de ossos, um enorme LEÃO, satisfeito, bem alimentado, palitando os dentes.

Moral da história:
1. Não importa quão absurdo seja o tema de sua tese;
2. Não importa se você não tem o mínimo fundamento científico;
3. Não importa se os seus experimentos nunca cheguem a provar sua teoria;
4. Não importa nem mesmo se suas idéias vão contra o mais óbvio dos conceitos lógicos;
5. O que importa é “quem está apoiando sua tese”