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Notícias de uma Guerra Particular

Capa do DVD Notícias de uma Guerra Particular

Sempre que falo sobre moralidade com meus amigos eu me lembro de um filme que eu considero muito importante. É um documentário de João Moreira Salles chamado Notícias de uma Guerra Particular. Este documentário nos mostra um olhar sobre as comunidades pobres da cidade do Rio de Janeiro, a violência urbana decorrente do tráfico de drogas e a maneira como a Polícia Militar trata o assunto.

Eu vi este filme quando ainda cursava Ciências Sociais na FFLCH…

Foi assistindo a este filme que me dei conta de que a corrupção no Brasil nasce no cidadão comum. E isso me assusta muito ainda nos dias de hoje. Pois eu trabalho fazendo assessoria aos deputados estaduais do PSDB, e eu acredito que a política deve ser ocupada pelos cidadão que tem moralilibada e bons costumes.

Mais tarde o filme Tropa de Elite trouxe a mesma mensagem, mas desta vez romanceada: (1) a tolerância à corrupção existe em todas as classes sociais e (2) a soma de ilícitos menores gera a sociedade que temos; corrupta e ineficiente. Isso me entristece.

Eu recomendo que assistam ao documentário. Quem tiver dificuldades em conseguir o DVD segue abaixo link para o material que encontrei no google video em dez partes: parte 1, parte 2, parte 3, parte 4, parte 5, parte 6, parte 7, parte 8, parte 9 e parte 10. Já quebra um galho.

Exército brasileiro, Haiti e favelas cariocas

Não sabia que o Bráz de Araújo tinha falecido. Fiz duas matérias com ele sobre política internacional na fflch. Fiquei sabendo hoje no site do departamento de ciências políticas e no blog Tucanusp.

A propósito, o Alexandre Dias levantou um intrigante possibilidade em um post: de que o exército brasileiro utilizou a ocupação no Haiti para aprender técnicas de ocupação de favelas.

Acho improvável que a motivação do governo em ocupar o Haiti tenha sido a de treinar para ocupações no Rio de Janeiro, mas algum técnico do exército pode ter, sim, deslumbrado essa possibilidade: a de adquirir conhecimento para aplicar nas favelas cariocas.

Parlamentarismo no Brasil

Certa vez o cientista político Leonel Itaussú citou El Gatopardo: “é importante mudar tudo para manter tudo como está“. E citou ao se referir às mudanças institucionais ocorridas no Brasil. No Brasil as mudanças institucionais sempre foram feitas pelas elites. Foi assim com a proclamação da independência, a abolição da escravatura, a promulgação da república e tantos outors golpes e mudanças.

Minha opinião pessoal: bom.

A formação esquerdista cultiva imagens da massa se movendo gloriosamente na promoção de valores nobres, e fundando uma ordem social e econômica melhor e mais digna. Eu não consigo deixar de ver a violência rolando solta, de maneira abrupta e espalhando medo. Um medo que só se compara a magnitude dos valores gloriosos. Foi assim na importante Revolução Francesa e também foi assim nas tentativas de golpe e contra golpes ocorridos na Venezuela.

Não estou criticando os valores daqui ou dali. Estou criticando a forma violenta de promove-los.

Ontem foi formada no Senado uma frente em defesa do parlamentarismo composta por 75 parlamentares e que é coordenada pelo senador Fernando Collor (leia a notícia no jornal do senado). O sistema parlamentarista funcionou durante alguns meses no Brasil durante o curto governo de João Goulard. Segundo Fernando Limongi a instituição do parlamentarismo foi tão mau feito que algumas atribuições de Estado poderiam ser desempanhadas tanto pelo presidente quanto pelo primeiro ministro.

Mas era outra época. O parlamentarismo foi instaurado por radicais que não aceitavam o governo de João Goulard. Hoje a frente em desesa do parlamentarismo opera em clima de estabilidade institucional, e eu espero que consiga fortalecer o parlamentarismo como algo bom para o país. Curioso mesmo é a coordenação estar a cargo de Fernando Collor. Para muita gente isso é sinal de que no Brasil, nada muda. Ou melhor, muda para não mudar nada.

Minha opinião pessoal? As mudanças institucionais graduais são melhores pois causam menos traumas e permitem correções antes que catastrofes ocorram. E acho que o parlamentarismo seria um ótimo avanço institucional. Com o parlamentarismo a nossa democracia seria mais ágil.

Ainda Sobre a Ocupação da Reitoria da USP

A reitoria da USP continua ocupada por alunos da universidade. Se compararmos com outros governo, o governo de José Serra tem um perfil mais firme, ou autoritário como prefere a oposição. A postura radical do movimento estudantil não é novidade, mas a postura mais firme do governo pode gerar uma relação conturbada pela radicalização dos dois lados. Dos manifestantes eu não espero posso esperar muito, pois são jovens. Espero que o governo demonstre sabedoria para negociar e resolver.

O Alexandre Gracioso escreveu em seu blog: Se os alunos não se deixassem levar pelos ardores ideológicos dos professores jurássicos da FFLCH

Não é bem assim, Alexandre. Eu estudei Ciências Sociais na FFLCH, e o perfil médio dos professores não é o professor decadente, barbudo e militante de ultra esquerda. No departamento de Ciência Política, onde tive maior vivência, eu me surpreendi com a quantidade de professores simpáticos à social democracia, por exemplo. Mas a maioria esmagadora não declara apoio a nenhum partido; é o tipo de coisa que não vale a pena para um acadêmico.

O princípio de diminuir a autonomia acadêmica não é tão absurdo assim quanto a universidade faz parecer. Tanto alunos quanto professores protestam, e de certa forma eles têm razão: querem defender um benefício que é a autonomia. Todos os anos o Legislativo aprova um orçamento para o ensino superior no Estado de S. Paulo, e as universidades gastam esta verba como bem entendem, sem consultar e sem prestar contas a ninguém.

Em uma analogia grosseira seria como uma família, em que o pai dá dinheiro para o filho estudar e o filho nunca é cobrado sobre como está gastando o dinheiro. Pior: se o pai aborda o filho sobre como andam os estudos, este reaje de maneira exagerada, dizendo que o pai é controlador e tal.

A Universidade argumenta que somente a própria Universidade pode decidir os rumos da educação superior no Estado e por isso o Legislativo, que representa a vontade da maioria, não deve participar do orçamento interno das universidades. Ou seja, a universidade recebe o dinheiro do contribuinte, e se nega a prestar contas de como este dinheiro é gasto. Parece grosseiro, mas o meio acadêmico acha que deve ser assim mesmo. Aliás o meio acadêmico também acha que o mesmo contribuinte deveria contribuir mais com a Universidade.

A professora Elizabeth Balbachevsky tem uma teoria sobre Ciência e Tecnologia que eu acho interessante. Segundo Balbachevsky quando a universidade investe mais em ciência aplicada os setores produtivos são impulsionados e têm ganho de produção. Logo a produção de bens tende a aumentar. Por outro lado a ciência não aplicada não tem esse tipo de impacto direto na economia.

Se a direção do governo é aumentar a transparência nos gastos do ensino superior, isso por si só já é positivo. Por aí eu já discordo das manifestações que ocorrem hoje na usp.

Se posteriormente o governo, ou o legislativo, decidirem intervir na maneira de destinar dinheiro ao ensino superior, destinando mais verba para a ciência aplicada no Estado de S. Paulo, isso certamente vai aumentar a possibilidade de ganhos produtivos, melhor competitividade do nosso setor produtivo, maior produção, menor desemprego, certamente maior arrecadação.

Esse assunto diz respeito a Universidade, mas diz respeito ao Legislativo decidir os rumos do ensino superior em São Paulo. Afinal a conta é paga pelo contribuinte.

Manifestação de alunos da fflch

Sabe aquela frase: “Já fui incendiário, agora sou bombeiro”? Pois é, sempre que eu vejo notícias dos alunos da fflch eu fico pensando: será que eu smepre fui conservador demais?

Saiu na Folha notícias falando sobre estudantes da fflch ocupando e acampando a reitoria da usp e sobre o estrago que fizeram para chegar lá dentro. Também foi noticiado a manifestação da fflch sobre a ocupação, que naturalmente é contrária a ação dos alunos.

O fato é que hoje quando encontro meus ex-colegas de curso, irremediavelmente todos caminharam para a direita. Quanto a mim, bem eu entrei na faculdade já simpático ao PSDB e saí da lá escolado em Marx, mas vestindo a camisa do neoliberalismo com toda a tranquilidade. Aos atuais alunos eu mando o seguinte recado: vocês também caminharão para a direita.

ps: a foto não se refere às notícias de hoje.

Diário de Bordo

Estou voltando de viagem hoje, tudo igual, a greve dos meus professores na USP continua, e a Adusp (Associação dos Docentes) anuncia que vai ter ato na quarta feira na Assembleia Legislativa onde eu trabalho. Ou seja, além de ser prejudicado com a greve, ainda vou ouvir protestos em alto som, pois todo protesto que tem na Alesp acontece em frente a sala em que trabalho, para variar…

Pretendo colocar fotos da viagem no meu fotolog. Hoje coloquei uma da Yohanah no mirante que fica no meio do caminho entre Rio e Petrópolis. Ficou bacana.