filosofia

Políticas de Ensino Superior

Abertura do Seminário Ensino Superior numa Era de Globalização

Aconteceu nesses dias 3 e 4 de dezembro um seminário sobre ensino superior na Fapesp e eu estive envolvido por meio do Instituto do Legislativo Paulista (ILP). O seminário foi realizado pela Assembléia Legislativa (Alesp) em conjunto com a Fapesp e dois núcleos de pesquisa da USP. O presidente da Alesp, deputado Vaz de Lima, se demonstrou bastante comprometido com o seminário que deve influenciar fortemente as políticas de ensino superior do Estado.

Me senti particularmente estimulado em participar deste seminário pois os estudos apontam para um modelo de ensino superior que havíamos defendido na juventudo do PSDB e no Congresso Estadual do PSDB em Praia Grande faz alguns meses. O Congresso é o espaço onde o partido decide quais são as teses que vão direcionar as ações políticas em geral. Neste caso defendemos uma melhoria na política do ensino superior, que poderia ter uma atuação mais relevante na formação profissional e no desenvolvimento de inovações tecnológicas que levem nossos produtos a um patamar de competitividade internacional.

Hoje o Estado trata faculdade como ambiente de pesquisa e não como uma oportunidade para criar profissionais para o mercado de trabalho e melhorar a nossa economia. As expectativas da sociedade na verdade não são atendidas. Porque para a grande maioria das pessoas o mais importante não ter a melhor faculdade da América Latina na sua cidade ou no seu estado. O mais importante para o cidadão é saber que na sua cidade ou no seu estado existem oportunidades reais para que o seu filho possa se formar em uma instituição de ensino superior adequada e enfrentar o mercado de trabalho com dignidade.

O caso de sucesso analisado foi o Masterplan do estado Califórnia. A idéia é que uma parcela relativamente pequena, de cerca de 10% dos estudantes de ensino superior no estado tenham acesso aos cursos de pesquisa. São estudantes que têm pretensões de se tornarem professores, pesquisadores ou profissionais com especialização acadêmica. Os demais alunos ficariam em faculdades voltadas ao ensino mas sem pretensão de pesquisas acadêmicas. Cursos com esta características podem inclusive ter uma duração menor, o que de fato acontece na Califórnia, onde a legislação facilita a existência destes cursos. Adaptando para o cenário brasileiro, seria como ampliar a oferta de cursos de tecnólogos, com duração menor que os cursos tradicionais. Na Califórnia 80% dos alunos que se formam no ensino médio ingressam diretamente nos cursos de pequena duração, 10% vão para cursos de pesquisa e outros 10% vão para cursos regulares de 4 ou 5 anos de duração, mas sem foco em pesquisa.

Eu vejo duas vantagens em diversificar os investimentos em ensino superior da maneira exposta acima. Em primeiro lugar, manter um ensino superior de qualidade como o que temos em São Paulo é muito caro, e impossível de se estender a toda a população de possíveis alunos. Defender a manutenção do sistema como ele se encontra hoje é uma postura elitista, pois somente os mais ricos tem condições reais de receber um ensino superior no modelo atual. Em segundo lugar eu acredito que um modelo diversificado é melhor para os alunos, que na maioria das vezes não querem e não precisam de um preparo em uma instituição de excelência em pesquisas.

Quando eu entrei na Faculdade de Ciências Sociais da USP quase todos os colegas ficavam angustiados sobre o seu futuro profissional; porque a maioria tinha entrado para o curso pensando em alguma atuação no mercado, ou como professor de escola, ou como funcionário público, mas a pressão do meio acadêmico para que cada aluno se torne um pesquisador era muito grande. Não é a toa que dos 210 alunos que ingressam todos os anos neste curso, somente cerca de 40 conseguem terminar o curso. No curso de filosofia a taxa de desistência é ainda maior.

As apresentações do seminário foram muito interessantes, oferecendo um amplo quadro comparativo das políticas públicas de ensino superior em diversos países. Da palestrante Wan-hua Ma, da China, veio um alerta importante que vale tanto para a China quanto para o Brasil. Nos últimos dez anos o Brasil dobrou a oferta de vagas para a faixa de jovens formados no ensino médio. Quando ampliamos a oferta de vagas em um ritmo tão acelerado, precisamos tomar cuidado com a qualidade dos cursos que estão sendo ofertados. No Brasil 90% das vagas são oferecidas pela iniciativa privada, que deve receber critérios claros de atuação e receber uma fiscalização efetiva por parte do Estado. O outro ponto de fragilidade, talvez este muito mais preocupante pois amplia bastante o debate, é a qualidade dos alunos que se formam no ensino médio. Uma boa instituição de ensino não se faz somente com bons professores, mas acredito eu que principalmente de bons alunos.

Por fim quero apresentar minhas satisfações com os organizadores deste eventos, em especial o prof. Guilhon Albuquerque e a profª. Elizabeth Balbachevsky e me por a disposição para continuar demonstrando apoio a este modelo de ensino que poderá melhorar a vida de muitos jovens paulistas se implementado.

Punição aos Ocupantes da Reitoria da USP


Hoje recebi em meu perfil do orkut um recado de um perfil chamado “Vítimas dos CurruPTos” (sic) que faz a denúncia de que as forças públicas do Estado de S. Paulo estariam instaurando processo contra os alunos radicais que ocuparam a reitoria da USP recentemente. O conteúdo do recado vermelho é o seguinte:

LUTA O advogado do Partido daCausa Operária e membro do Comitê de advogados formado para defender os estudantes perseguidos, Alexandre Gallo, afirmou em entrevista à Radio Causa Operária que “foram instaurados inúmeros inquéritos contra os estudantes que participaram da ocupação (da USP). Obtive a informação que esses inquéritos estavam sendo confeccionados no 91° DP (…) fomos pessoalmente na delegacia para tentar tirar xerox destes inquéritos, aos quais por uma estranheza, apesar de serem processo público, não pudemos ter acesso”;Gallo afirmou também;“vamos entrar com medida judicial para ser entregue o processo”Segundo o delegado de plantão estão apenas procurando os endereços dos estudantes para começar a intimar os ocupantes. A segunda reunião do comitê contra as punições será realizada dia 26 de julho, às 19h no porão do prédio dos cursos de ciências sociais e filosofia, com o objetivo de organizar a campanha e colocar em marcha a defesa intransigente dos estudantes em luta…site www.pco.org.br.

Transcrevo aqui a minha resposta telegráfica: “Espero que a ocupação do espaço público pelos estudantes radicais seja adequadamente apurada e punida. Abraços.”

Acredito que a ocupação trouxe lesão direta a patrimônio público e acredito nos meios institucionais do Estado para evitar que fatos similares ocorram novamente. Ou seja, não vejo nada errado, e até defendo, que os colegas que ocuparam a reitoria sejam responsabilizados e recebam punições proporcionais aos danos causados. Quanto ao PCO e aos outros incitadores da ocupação, acho justo que ofereçam todo o suporte jurídico necessário aos participantes da ocupação. Isso é mais do que justo.

Só não concordo com a opinião que o meu amigo Vinícius escreveu em seu blog. Segundo ele o movimento estudantil teria logrado êxito com a ocupação. Discordo. Em primeiro lugar porque o movimento estudantil saiu com a imagem manchada na grande mídia. Em segundo porque eu não vi avanços da discussão da autonomia universitária. Como contribuinte continuo achando mais do que justo que o empenho do dinheiro que o povo paulista aplica na universidade seja demonstrado públicamente. Isso torna a universidade mais transparente à população. E ninguém, nem os estudantes, nem os acadêmicos da universidade, ofereceram uma explicação convincente para que estes gastos continuem a ser feitos sem prestação de contas pública.

Afinal, que mal há nisso?

Se você ainda não entendeu qual ação do governador José Serra gerou a revolta dos estudantes, leia no blog do Thiago Carneiro.

Enquanto isso outros blog radicais, como o Bah! Caroço, apontam as mudanças nas secretarias como uma evidência dos planos do PSDB de pilhar a universidade. Faça me o favor!

A Utilidade da Filosofia e Karl Popper

Nossa! Como a Bárbara tem escrito no seu blog. Acho que é para fazer jus a fama de que o povo de ciências humanas adora esticar o assunto 🙂

Em relação a suposta arrogância de Karl Popper, acredito que se trata de uma conclusão epistemológica. Epistemologia é interessante. Tive contato com dois professores que falavam bastante de epistemologia que é a ciência da ciência.

A teoria de Einstein seria melhor que a teoria de Freud segundo a epistemologia poperiana, sim. Uma evidência disso: a teoria de Freud é base de teorias modernas, mas a teoria de Freud está superada ao contrário da teoria da relatividade que apesar de várias tentativas ainda não foi rfutada nem melhorada.

Agora eu vou falar um pouco sobre a utilidade da filosofia, que foi a pergunta que a Bárbara se deparou. Bem, eu acho que para responder adequadamente esta pergunta é mais fácil decompor. E eu decomponho a questão separando os campos da filosofia.

A epistemologia é um campo da filosofia importante para todas as outras ciências. Qualquer cientista de um ramo pragmático pode trabalhar na produção científica sem se preocupar com questões teóricas, questões epistemológicas. É o caso do médico e do químico. Já um cientista que trabalha em um campo não pragmático eventualmente precisa se voltar a questões de ciência básica, epistemológica. Este costuma ser o caso no campo das ciências humanas e em alguns campos da física onde não existe uma teoria pragmática.

A ética é outro ramo interessante e igualmente útil. O lugar mais comum de encontrar a ética aplicada é no meio jurisprudencial, especialmente quando está em discussão questões não abordadas explicitamente no ordenamento jurídico. A política e a religião também recorrem a ética quando discutem, por exemplo, a questão do aborto.

Existem outros campos, como a lógica em que existe um lado mais teórico e outro mais aplicado. Mas no geral existe equele lado romântico ou místico que a filosofia desperta nas pessoas em geral. É aquela face da filosofia que abre a porta para a imaginação e para as respostas existenciais de que os Homens tanto precisam.

Sucesso na sua faculdade Bárbara 😉

Popper e o ceticismo quanto à objetividade da ciência

“A ciência não se balisa sobre uma base sólida. A estrutura das teorias científicas parecem surgir de algo como um pântano. É como se ela fosse uma construção erigida sobre pilares. Esses pilares são fincados na lama do pântano e postos cada vez mais fundo, e quando paramos de fincá-los não é porque alcançamos solo firme. Nós simplesmente paramos porque acreditamos que a firmeza que as pilastras nos oferescem são adequadas à nossa estrutura.”

Tradução livre.