Marx

O Fim da História

Francis Fukuyama
Francis Fukuyama durante simpósio em Paris, janeiro de 2009. Foto: Andrew Newton.

Na ilustrada deste domingo, dia 21, saiu uma matéria sobre o “fim da história” de Fukuyama. O “fim da história” é uma tese que fez muito barulho ao final da Guerra Fria. Ouvi muitos comentários sobre o “fim da história, a maioria deles ridicularizando o autor. Na verdade poucos entenderam o que Fukuyama quis dizer ao usar a expressão “fim da história”.

O que Fukuyama entende como história? Para ele a história é a evolução da ideologia humana. Essa evolução ocorreria sempre que duas ideologias disputam espaço. O fim da Guerra Fria representou a vitória da ideologia liberal democrata. A liberal democracia saíu vitoriosa da Guerra Fria. Se não surgir outra ideologia que dispute espaço com a liberal democracia, então não existirá evolução ideológica. Logo, Fukuyama concluiu que a história chegou ao seu fim.

Existem ao menos duas teses opostas à tese do fim da história. Uma delas é marxista. Do ponto de vista marxista-socialista haverá uma revolução proletária que dominará o capital. Os adeptos a este ideia sempre encaram as crises sistêmicas do liberalismo econômico como um sintoma de sucumbência do capitalismo. Foi assim na quebra da bolsa de NY em 1929, foi assim no fim do lastro ouro na era Nixon. A atual crise financeira também é recebida como prenúncio do fim do capitalismo pelos socialistas marxistas.

Eu truco: Marx esperava que a revolução surgisse em sociedades com duas características marcantes: (1) mais de 90% dos trabalhadores empregados pela indústria e (2) grande acumulação de capital, ou seja, uma sociedade rica. As sociedades talvez estejam cada vez mais ricas, mas a proporção de trabalhadores na indústria não tem crescido. Esse fato é tão negativo para a previsão marxista que recentemente o Partido Comunista Chinês tem dado claros sinais de ampliar a base de militantes que até a poucos anos atrás era formalmente limitado a proletários, que a princípio são os trabalhadores assalariados da indústria (essa mudança de postura está expressa no princípio do “Three Represents” da Constituição do Partido Comunista Chinês). A própria história desmente a previsão marxista.

Outra tese que se opõe a Fukuyama é a tese do choque de civilizações, de Samuel Huntington. Segundo Hungtington o fim da Guerra Fria permitiu que peculiaridades entre grandes civilizações se tornassem importantes. Durante a Guerra Fria as peculiaridade continuavam existindo, mas a disputa entre os dois pólos diminuíam a importância das questões regionais. Por exemplo: a disputa entre israelenses e árabes não eram vistos como um choque de civilizaçõe. Ao invés disso a Guerra Fria reduzia tudo a aliados dos EUA e aliados da União Soviética, criando uma perigosa bruma sobre as características regionais. Hoje a maior evidência desse choque de civiliações talvez seja a crescente hostilidade do mundo ocidental com os países muçulmanos.

Entre as três teorias eu fico com o Choque de Civilizações.

Celular Sem Operadora

Telefone celular com capa de bananaOntem o Sergio Amadeu escreveu em seu blog um post com um título tentador: “Celular Sem Operadora: Seria Viável a Gratuidade na Comunicação?”. Trata-se de uma idéia que o próprio Sérgio Amadeu já tinha levantado anteriormente ainda que de forma um pouco diferente. Na matéria que publicou ontem ele descreve uma comunicação que seria feita entre o telefone celular e uma rede sem fio pública, oferecida pelo Estado. O Estado ofereceria acesso gratuito ao cidadão que possui um celular com capacidade de se conectar a internet e as ligações seriam feitas sem custos para outros celular ou computador também ligado a internet.

Hoje em dia os celulares com tecnologia suficiente para realizar tal proeza em wi-fi não sai por menos de R$ 950,00 sem o subsídio da operadora de celular. Em outras palavras, se depender do custo de mercado hoje somente uma faixa bem restrita de cidadãos poderia se beneficiar de um serviço como esse. Mas algum dia no futuro os celulares poderão vir com esse recurso por um preço realmente acessível.

Mas o que me chamou a atenção mesmo na matéria foi a seguinte provocação do Sérgio Amadeu:

Aí vêm a turma do Kptal perguntando: quem paga? é gratuito?

Trabalhador usando telefone celularVou responder como colega: ainda que eliminássemos a moeda das relações sociais o oferecimento de tal rede geraria trabalho humano. E quem deveria trabalhar para que todos usufruam do serviço?

Agora com termos um pouco menos marxistas: para montar uma rede dessas, manter o link e os equipamentos em funcionamento é necessário dinheiro. Se esse dinheiro for pago pelo Estado então ou sobrará menos dinheiro para outros serviços públicos ou o contribuinte pagará mais dinheiro ao Estado. Qualquer explicação diferente é quimera. O fato que o dinheiro do Estado que deve ser utilizado para oferecer transporte, saúde e educação passaria a ser gasto também com comunicação.

Agora eu devolvo a bola: é justo que o Estado e o contribuinte custeie a comunicação do cidadão? Minha opinião é que é injusto, pois o maior beneficiário hoje seriam os mais ricos, e eu acho injusto o Estado beneficiar aos ricos em detrimento dos mais pobres.

Manifestação de alunos da fflch

Sabe aquela frase: “Já fui incendiário, agora sou bombeiro”? Pois é, sempre que eu vejo notícias dos alunos da fflch eu fico pensando: será que eu smepre fui conservador demais?

Saiu na Folha notícias falando sobre estudantes da fflch ocupando e acampando a reitoria da usp e sobre o estrago que fizeram para chegar lá dentro. Também foi noticiado a manifestação da fflch sobre a ocupação, que naturalmente é contrária a ação dos alunos.

O fato é que hoje quando encontro meus ex-colegas de curso, irremediavelmente todos caminharam para a direita. Quanto a mim, bem eu entrei na faculdade já simpático ao PSDB e saí da lá escolado em Marx, mas vestindo a camisa do neoliberalismo com toda a tranquilidade. Aos atuais alunos eu mando o seguinte recado: vocês também caminharão para a direita.

ps: a foto não se refere às notícias de hoje.