Hoje vi uma matéria no blog do Alexandre Assumpção, um colega que mora no Flamengo. Ele ficou indignado com o que viu no quarteirão do Palácio do Catete e tirou umas fotos e colocou no seu blog: pessoas pobres em clara situação de vulnerabilidade social. É triste, mas verdade.
Em janeiro estive no Flamengo e na rua uma senhora puxou assunto sobre os “favelados” que ficavam “enfeiando” a Praça José de Alencar, próximo ao Largo do Machado. Ela se referia a um casal de jovens namorando nos banquinhos da praça. Os dois estavam vestidos com roupas velhas, eram inegavelmente pobres. Aos meus olhos esse era o único “problema” com o casal de namorados.
Fiquei mais perplexo ainda quando aquela senhora continuou dizendo que ela já tinha tomado a atitude de telefonar para a Polícia Militar, mas que as autoridades não resolviam o problema, retirando aquelas pessoas da praça pública. Não é um absurdo? Uma senhora, provavelmente aposentada e de classe média, falando em limpeza social do bairro que vive? Ao meu ver a intolerância é, nesse caso, mais periogosa que a diferença social em si. Milosevick e Hitler usaram argumento falaciosos desse tipo para matar muita gente inocente!
Mas e aí? Apontado o problema social, qual seria a solução? Criar um movimento em defesa dos pobres, para dar banho neles, arranjar uma mesada do governo ou um programa de capacitação? Sim, o auge da minha ironia é apontar os pobres como incapazes. É cruel, mas é exatamente assim que aconteceu no diálogo com a aposentada. Os vizinhos da favela só são suportáveis quando vestem um uniforme: é o entregador do garrafão de água mineral, a trabalhadora doméstica ou o porteiro do prédio.
Este é um problema de cultura política: para o morador do bairro os pobres não deveriam existir. Os pobres não devem vivem nas ruas do bairro do Flamengo, mas no morro. O morro pode ser próximo geograficamente, mas para o cidadão de classe média é um lugar distante. Os aparelhos públicos não são compartilhados: a escola das crianças que moram no bairro do Flamengo não é a mesma escola das crianças da favela do Flamengo, porque o parque público deveria ser dividido…
Mesada do governo ou medidas paliativas é relativamente fácil de se conceber. Difícil é encontrar uma maneira de tirar a intolerância de dentro da cabeça das pessoas…
