Spica
Livro escrito por mim sobre a construção de um veículo por quatro estudantes que acreditam ser possível uma espécie de trem bala sem trilhos. Escrito em 1995 quando eu morava em Niterói, durante minha oitava série.
Dedicatória:
“Dedico este livro a um amigo que não vejo à algum tempo: Élcio. Ele me incentivou muito com a idéia do Spica. Dedico este livro tambem ao meu amigo James, que me acompanhou e incentivou diretamente durante o tempo que eu amadurecia o esquema do Spica.”
By Phill Melon
A Chegada em Jacksonville
É quase meia-noite. A negra noite caía fría. Eu caminhava tranquilamente pelas ruas de Jacksonville sob pálido luar. Era o meu primeiro dia na cidade, e eu andava pela cidade à fim de conhece-la. Praticamente a casa toda estava encaixotada da mundança. A cidade no geral é boa: as são ruas limpas, as são casas de bom porte, o comércio traz boas opções, a biblioteca pública é grande, e temos, também boas escolas e até mesmo uma universidade. Dobro a última esquina antes de casa. Minha mãe deve estar preocupada. Eu disse que dava uma volta de quinze minutos e eu já estou rodando faz tempo. Entro em casa como quem não quer nada e encontro minha mãe com a maior cara sentada no sofá da sala, ainda meio desarrumado.
— Mike! Como é que você me desaparece assim?
— Não desaparecí, mãe. Só tava dando uma volta; como eu disse antes.
— Mike, eu não gostaria que você contiasse me aprontando como fazia em Orlando, OK?
— Mãe, eu só tava tomando um arzinho…
— Amanhã é a sua primeira aula, às sete da manhã. Você está ciente da sua hora de acordar amanhã?
— ‘Tô.
— Por favor meu filho, não crie problemas nesta escola como aquele disastre no laboratório da sua última escola, entendeu bem Mike?
— Ah! Eu vou é dormir…
— É bom. amanhã às seis horas você está de pé.
Entro no meu quarto como quem não quer mais nada: só dormir. Saí desviando caixote por caixote, até atingir a minha cama. Minha mãe fala do corredor.
— Boa noite, filho.
— ‘Noite…
Seis da manhã e eu estava de pé, exatamente como me havia sido prometido. Tomei banho, me arrumei e tomei o café com o maior sono. Eu já estava saíndo, quando o meu pai veio até mim:
— Espere aí Mike. Eu e sua mãe vamos o levar de carro até a escola. Ainda vamos conversar com a direção antes de você entrar em sala.
Minha mãe chegou, então saímos. O percurso foi pequeno. Saí do carro apenas com um fichário nas mão. O prédio da escola estava em boas condições. Havia um gramado em frente, e as paredes eram com tijolos à vista. Já na sala da diretora eu pude notar como ela era baixinha. O nariz, apezar de pequeno, era tão arrebitado que dava para ver os seus pulmões. Sentada atrás da sua mesa, falava esquizofrenéticamente, enquanto rodava uma caneta entre as mãos. Enquanto isso eu nem mesmo prestava atenção no que ela dizia, foi quando ela se dirigiu a mim.
— Acho interessante você saber que a nossa média é sete. O nosso sistema é contituido de duplas na sala. Estas duplas são definidas no início do ano e são inseparáveis. Haverão muitos trabalhos dados pelos professores em que contituem tarefas em duplas, por isso é essencial que a dupla converse e tenham uma amizade forte. É tambem dever do aluno manter o seu companheiro de dupla o mais informado possível. Você acha que vai adaptar-se bem ao sistema?
— Bem, eu… — minha mãe me olhava pedindo piedade… eu tive de aceitar —claro que vou me adaptar bem.
— Ótimo! Eu vou vou providenciar os seus materias e se possível amanhã mesmo você os terá em mãos. Eu ainda preciso fazer alguns acertos com os seus pais, mas você já pode ir para sua sala. Eu vou chamar a nossa orientadora educacional…
Se levanta e vai até a porta.
— Joanira! Joanira, querida. Você quer, por favor, levar este novo aluno à sala da 8º série?
— O.K.. O seu nome é…
— Mike.
— Ah! Claro. Então vamos lá Mike?
— Tchao pai, mãe…
O corredor era estreito e desagradável de se andar nele. Dobramos à direita. Foi aí que eu ví uma porta com uma plaqueta escrita: 8º série. Mais do que obviamente Joanira declara em um tom inspirador:
— Eis aí a 8º série.
Bateu na porta a fim que o professor à abrisse. O professor não abriu. Joanira abriu assim mesmo e me apresentou ao professor, que imediatamente me fitou de cima à baixo… ou teria sido de baixo para cima? Bem, não importa… A sala toda repetiu o feito do professor.
— Muito bem! O seu nome é?
— Mike.
— O.K., Mike. Porque você não senta com Yohana? Ela será a sua companheira na dupla de sala.
Eu olhava atentamente aos alunos a fim de descobrir quem seria a tal Yohana. Foi quando, de repente, ouviu-se um forte assovio na sala. Veio de uma figurona do fundo da sala. Usava roupas pretas, inclusive uma jaqueta de couro. Chupava chiclete abrindo escandalosamente a boca, e usava visivelmente um Walkman. Abriu um tremendo sorriso atrás dos óculos escuros e levantou dois dedos como um “V”: paz e amor.
— Hana!!! Nunca mais faça isso, ouviu bem?
O professor havia se alterado, e eu caminhava em direção à Hana, que fazia caretas como que ignorando a bronca que recebía do professor.
— E aí brô? Pode me chamar de Hana.
— Falô. Eu sou Mike.
— Aí, Mike. Não precisa se impressionar com o “prof”, não. Às vezes ele fica meio irado mas é gente fina.
Fiz sinal afirmativo com a cabeça. Eu definitivamente tinha ido com a cara de Hana, que não parava de se balançar com o som do seu Walkman. Já nós não estavamos interessados em fazer os exercícios de sala, nós começamos uma converça mais aprofundada:
— Só mano…
— Pô aí, nada a ver.
— Só mano…
— Pô aí, nada a ver.
— Só mano…
— Pô aí, nada a ver.
— Só mano…
— Pô aí, nada a ver.
— Mó onda, hein brô?
— Aí, ó. Já tá mudando de assunto.
O papo estava cada vez melhor, foi aí que o garoto da frente interveio:
— E então, Hana? Não vai me apresentar o novato?
Ele era moreno, de boa aparência. Parecia ser chegado ao estudo. Ao seu lado a sua dupla. Uma loirinha de olhos azuis que já havia se voltado para trás a fim de participar da conversa.
— Mike, estes são Bill e Melissa. Bill, Mel, este é Mike.
— Prazer, Mike. Pode me chamar de Mel.
— Prazer, novato.
— Bill, não fale assim… ele pode não gostar.
— Só estava brincando; Ok Mike?
— Sem problemas.
Nós conversamos um bom tanto, nós quatro: Eu, Hana, Bill e Mel. Determinado momento, Bill nos fez um convite:
— Aí, galera, que tal nós irmos, todos nós, lá em casa hoje à noite? Vai ter uma reunião extraordinária da Internete para “hackers”.
— E o que são hackers? — perguntou Hana.
— Os hackers tentam roubar informações de computadores ou entrar em bancos de dados restritos. É a maior zoação.
— Qualé, Bill. Estas reuniões são mais chatas que jogo de cartas em asilo. — Retrucou, Mel que parecia já ter participado de uma destas reuniões. Como eu morria de vontade de participar de uma reunião cibernética, tentei animar a galera:
— Gostei da idéia. Vai rolar muita pizza?
Foi só falar em pizza e os olhos de todos brilharam. Então foi só Bill confirmar o horário:
— Oito horas hoje?
Todos concordaram. Eu me dispus de trazer as pizzas. Mel traria o refrigerante, e Hana o sorvete. A aula continuou transcorrendo como qualquer aula de 8º série: os professores e saíam de sala antes mesmo de terem sido percebidos. Já passavam de dez folhas preenchidas por mim e Hana com o jogo da velha. Finalmente as aulas acabaram e eu me despedí de meus novos colegas e partí para casa. Fazer pizza, é claro.
A Reunião
Faltavam sete minutos para as 7:55. A casa de Bill era um sobrado de bom tamanho. Batí na porta e a mãe dele atendeu. Antes mesmo que eu pudesse me apresentar ela observou as caixas de pizzas e concluiu:
— Ah, sim. Você deve ser o novo colega de classe de Bill, o Mike, estou certo?
— Claro, ele está?
— Sim, e está lhe esperando.
Ela me levou pra dentro e me guiou até a cozinha onde me indicou uma porta que daria no porão:
— Pode ir entrando, Bill está lá em baixo lhe esperando.
Fui descendo pela escada de madeira. Lá em baixo pude ver Bill sentado em frente do seu computador. Havia uma mesa com quatro lugares ao meio do ambiente, que parecia ter sido preparada especialmente para a ocasião. A parede da frente era toda revestida de ponta à ponta, de cima à baixo, com uma enorme estante. Cerca de um terço dela era revestida com títulos multimídia, CDs, livros e revistas do ramo científico. O restante dela tinha livro e objetos velhos. À minha direita haviam alguns aparelhos entulhados.
— Chega mais, Mike. Pode deixar as pizzas aí na mesa.
Seguí o conselho de Bill e deixei as pizzas lá e fui me aproximando dele à fim de examinar melhor o seu computador. O monitor tinha nada mais, nada menos que 20 polegadas, haviam dois joysticks: um manche de avião e outro do tipo arcade. Havia também um teclado na mesa ao lado e um camera de vídeo apontada para o usuário. Os dois pareciam estar acoplados no computador, que tinha um corpo de cerca de 70 centímetros. Com drive CD-ROM, e “escambau à quatro”. Sem contar a impressora a lazer, e o scanner de mesa. Finalmente pude observar na tela um jogo famoso: Dark Forces.
— Que computador é esse?
— P6 de 120Mhz. Chocante, não?
— Pô! Isso põe no bolso o meu 486 DX2 66Mhz.
Ele saiu imediatamente do jogo e começou a fuçar nas telas do seu sistema, OS/2, claro. Logo estavamos na tela de abertura da Internete.
— Bill, venha cá. Hana e Melissa chegaram.
— Já vou mãe. Pode fuçar à vontade, Mike. Eu já volto.
Sentei como um esganado na frente daquele 20″. Foi o meu delírio. Caí, por sorte, no fã clube dos Rolling Stones. No on-line, um show ao vivo na Califórnia. Aumentei o som. Pedí a resolução de tela o mais perto da tela cheia. Haviam caixas grandes no resto do ambiente, pelo menos quatro. Me leventei ao som do hit “Please to Meet You” e comecei a dançar. Logo chegaram Hana, Mel e Bill. Hana não perdeu tempo e começou a dançar comigo. E não demorou muito para que nós quatro estivéssemos embalados no som do Rolling Stones. O show não dispensava efeitos especiais e a pizza rolou souta. Cerca de uma hora de show e nós não aguentavamos mais quando finalmente terminou. Mel sentou-se numa das cadeiras em frente ao sorvete e comentou:
— Foi super divertido, hein? Agora o sorvete!
Enchemos a cara de sorvete e Bill correu para o fórum dos “hackers”. A reunião estava para começar. O mais interessante é que Bill não ia conversar via texto no teclado, mas via vídeo. Nos foi apresentados varios amigos de Bill. Hana em determinado momento, parecia não estar muito interessada nas novidades apresentadas pelos hackers. Pegou uma revista científica e sentou-se para examinar melhor a revista. Pouco depois, Mel sentou-se ao seu lado.
— O que é isso? — perguntou.
— É uma matéria sobre o trem bala. Chocante.
— E como funciona?
— Sei lá.
Como eu estava prestando mais atenção à conversa das meninas do que aos hackers, eu resouví intervir.
— O trem bala funciona com uma espécie de campo magnético.
— Como assim? — perguntou Hana em meio à mastigadas de chicletes.
— É como se fosse dois imãs com os polos iquais voltados para sí mesmos. Aí eles se repelem. No caso do trem, ele começa a correr com rodas, como um carro normal, depois ele indus um campo entre ele e o trilho. Como não há atrito com o chão o trem alcança velocidades estapafúrdias.
— E dá pra fazer um trem bala sem o trilho?
— Qualé, Hana. Sem o trilho não há um campo magnético. Aí o trem não flutua no ar, não é Mike.
— Bem… o trilho do trem bala possui várias bobinas supercondutoras que são induzidas à serem carregadas negativamente assim como o solo do trem, talvez haja um meio de simular este trilho no chão, ou até mesmo carregar o chão eletronegativamente.
— Como assim, Mike?
— Já ouviu falar que os opostos se atraem? Pois bem, os semelhantes se repelem. Se nós conseguissemos ter o assoalho do trem e o solo logo abaixo do trem carregados eletronegativamente, o trem iria se repelir do chão sem ao menos ter um trilho. Aí era só arranjar um modo de propulsão para o trem.
Bill que ouvia tudo atentamente, virou-se para nós e ficou ouvindo a conversa. Hana, que ainda usava os óculos escuros apesar de já passar das 9 horas, levantou-se e começou a discursar em tom sonhador e gesticulando muito.
— Olha só, galera: nós quatro em cima do trem bala sem trilho, pela rota 66 à 400 Km por hora; os coqueiros de Bervelly Hills… as praias. E a gente tirando a maior onda?
Bill meio descrente me pergunta:
— E o que iria carregar o solo? Lembre-se que a terra puxaria toda a energia que você tacásse nela. Talvez um solo isolado da terra fosse possível, mas não dá p’ra ir à Bervelly Hills. E a energia? Quantas usinas elétricas você carregaria na capota?
— Sei lá, cara. Eu preciso amadurescer a idéia.
Melissa contesta:
— O Mike tem razão. Existe muitos contratempos mas eles devem ser analisados, e só então discartar a idéia.
— Que baixo astral Bill.
— Olha Hana, eu não estou de baixo astral. Só estava mostrando o que eu ví nisso tudo.
De renpente a mãe de Bill abre a porta do porão.
— Bill, já é tarde. Não é melhor os seus amigos irem p’ra casa.
Mel olha para o relógio e declara:
— Já são 10:20. Você vem comigo, Hana?
— Claro.
— Mike, Bill, eu e Hana já vamos.
— Eu também Bill. É minha segunda noite na cidade e se eu demorar muito minha mãe fica cheia de paranóia.
— Falô. Eu acompanho vocês até a porta.
Nos despedimos na porta da casa de Bill. As meninas foram à direção oposta à minha. A lua cheia iluminava bem os meus passos. Comecei então à pensar sobre o trem bala. Como eu podería carregar o solo sem que a terra absorvesse essa energia? Me veio, então à mente uma bobina. Ela podería carregar tranquilamente o solo. Apesar que ela iría carregar tudo à sua volta. Sem contar o superaquecimento que ela iria covrer com a carga.
Perdido entre as minhas dúvidas eu levantei os meus olhos ao céu. Ví então uma estrela cadente. É isso: eu preciso de um facho de carga eletronegativa, e isso eu consigo facilmente com um acelerador de partículas. Ótimo!!! Bill vai ficar orgulhoso de mim ao saber que eu resouvi o X da questão. Saí pulando de alegría os últimos dois quarteirões até chegar em casa. Encontrei minha mãe lendo uma revista no sofá da sala, junto do meu pai.
— Reunião animada, filho?
— Super, pai. Bill tem um monstro de computador.
Meu pai continuou lendo o jornal, indiferente.
— Sabe, pai… eu estive pensando num trem bala, ou melhor, num carro bala, pois ele não usaria trilhos, sabe. É interessantíssimo. Ele podería alcançar velocidades incríveis. Eu analizei bem e acho que podería fazer um com um acelerador de partículas e mais um ou outro apetrecho…
— Filho… já é tarde. Você precisa dormir para acordar cedo.
— Você não me leva a sério mesmo, né pai?
— Não é bem assim filh— Claro que é. Você nem ouve o que eu digo.
— Filho… Você está na idade de ir à escola, se divertir com os amigos, namorar… Você me entende?
— Claro. Está na hora de dormir não é. Boa noite.
— Noite.
Claro que o meu pai não ia consiguir me entender. Talvez seja mesmo meio remota a possíbilidade de alguem ter um filho que vai criar o veículo do futuro, mas ele podía pelo menos fingir estar interessado. Entro no meu quarto, agora menos encaixotado, e me deito na cama. Tento me concentrar no carro bala mas em vão. Prefiro dormir, amanhã a aula comaça às sete.
. . .
. . .
Sete em ponto entro em sala. Lá estão Mel e Bill e logo atrás Hana. Chego com o maior sorriso do mundo para comprimentar a todos.
— E aí galera. Tudo em cima. Bill, eu estive pensado no carro bala,…
— Cara, você levou mesmo tudo aquilo à sério?
— Mas é claro. Olha eu acho que se nós usassemos um acelerador de partículas ao invés de uma bobina nós poderíamos carregar o solo. O acelerador seria como um canhão de elétrons.
Pequena pausa.
— Mike, você é um genio! Como você vai impedir que a energia dissípe-se na terra?
— Hã… não havia pensado nisso.
Bill vira-se a fim de assistir à aula. Bill é um sujeito incrível. Ele matava tudo o que eu pudesse sugerir. Mesmo se eu passase a noite inteira ponderando sobre algo, era só contar à ele e pronto. Fiz como nas outras vezes que estava sem solução. Fiquei pensando em possibilidades. Lembrei-me então que a carga elétrica é contituida de elétrons: micropartículas atômicas. Se a terra realmente absorve essas partículas, deve haver um modo de se evitar isso . . .
— É claro.
— Que houve, Mike? Tá delirando.
— Foi mal Hana. Só tava pensando…
— Pensa mais baixo, senão atrapalha.
Mas é super lógico: Se eu estou tacando raio de elétrons à uma direção, no caso o solo, este raio precisa de uma quantidade de elétrons e uma velocidade. A quantidade é medida palos ampéres, e a velocidade pelos volts. Agora tudo parecia mais lógico: uma vez que nós temos uma maior voltagem ela tenderá a voltar ao assoalho do veículo mais facilmente. A amperagem, talvez, aumentaria a estabilidade do veículo e até a distancia mantida entre o veículo e o solo. Peguei um papel e uma caneta e fiz toda a anotação. Entreguei imediatamente ao Bill que só prometeu algum comentário no recreio. Esperei.
No recreio, Bill saiu até o pátio e me convidou a ir com ele.
— Olhe, Mike. Se você realmente confia nisso… Você tem computador multimídia?
— 486DX2.
— Ótimo. Faça uma apresentação sobre o carro bala. Leve sábado à noite lá em casa junto com umas pizzas e então nós poderemos analisar melhor. Realmente a idéia é boa,… mas eu não sei.
— Bill, valeu. Sábado à noite nós teremos essa reunião.
Finalmente um comentário de Bill menos desanimador. Naquela tarde de quinta eu não pensei em mais nada além da apresentação, e assim foi também sexta e principalmente sábado, quando dei os últimos retoques. Sábado à noite, quando cheguei à casa de Bill, já estavam lá Hana, Mel e, é claro, Bill. Fui recebido por aplausos.
— Finalmente, Mike. Agente pensou que ia ficar sem pizza.
Taquei as pizzas nas mãos de Mel e fui direto ao Bill.
— Aqui está a apresentação. Acabei de produzí-la. São oito disquetes de vídeo compáctos.
— Caprichou, hein? Só espero que isso acabe hoje.
Hana, Mel e eu começamos a assassinar as pizzas enquanto o Bill preparava o computador para comportar a apresentação. Logo estavamos sentados no chão comendo pizza e assistindo ao meu vídeo. Ele possuía no geral, muitos vídeos meus dando explicações, e animações de desenhos mostrando o funcionamento do maquinário. A tela de apresentação mostrava o seguinte título: “Spica: O carro que voa.”. Logo a seguir é esplicado o motivo do nome, excolhido por causa de uma estrela que eu gosto muito. Entra em cena o esquema do trem bala, bem explicadinho para todo mundo entender. E agora, ao invés de pular direto para o esquema do Spica, eu comecei a tratar de tragetória do elétron; já que elétron é a peça principal da história. Antes ainda do esquema do Spica, houve a apresentação do esquema do “overcraft”. Veículo que cría uma camada de ar em baixo dele mesmo à fim de diminuir o atrito com o solo, então é só haver um tipo de propulsão e o overcraft desliza sobre este “lençol” de ar. Mas do que finalmente o esquema do Spica: assim como o overcraft, o Spica iria criar uma espécie de lençol em baixo dele, mas desta vez um lençol magnético e não de ar. Para isso seria necessário um acelerador de partículas que cuidaria de lançar o feixe de elétrons a uma velocidade, ou voltagem, tão alta que a terra não daria conta de absorvê-la. Assim a área abaixo do Spica ficaria carregada negativamente. Uma vez que o assoalho do Spica também estivesse carregado negativamente, eles iríam se repelir (lembre-se: os opostos se atraem, e os semelhantes se repelem). Agora repelidos, o solo e o Spica passaríam a uma mudança de distância até esta distância se manter constante. Após isso é só arranjar um modo de propulsão. Esta propulsão podería ser uma roda que só entraria em contato com o chão no momento de decolar. Depois disso a velocidade inicial aumentaria sozinha sem o atríto ao chão, porém este modo de propulsão não permitiría um bom controle do Spica durante o vôo. Uma segunda opção é o tipo ventilador ou turbina, como no overcraft, porem o Spica tende a ficar mais longe do chão, e não haveria um controle total em questão de direção do veículo. A última opção, e mais qualificada é a mudança de tensão no solo do Spica. É mais ou menos assim: se o Spica se repele do chão, que tem uma tensão magnética (campo magnético) forte, se alguma região do Spica tivesse uma tensão maior que outra, a tendência seria de o Spica ser atraído à região de menor tensão magnética. Por exemplo: se tivessemos três aceleradores dispostos ao longo do Spica (o central para equilíbrio do veículo, os outros dois para designar a direção do mivimento) nós poderíamos ligar o central e obter o Spica parado no ar. No entanto, se ligassemos o acelerador traseiro, haveria uma diminuição da tensão magnética entre a área traseira e a dianteira. Como a traseira seria maior, o Spica seria atraído para a frente. E se ligassemos o acelerador dianteiro, obteríamos o efeito contrário, ou seja, diminuição da tensão traseira. Resultado: o Spica seria atraído para trás.
Por último foi tratada a questão da energia para tudo isso. É claro que criar um lençol magnético a ponto de levantar um carro, gasta muita energia. Essa energia podería ser coletada através de painéis solares, e guardadas em boas baterías. O vento resultante podería ser usado, juntamente com os painéis solares, para rodar um dínamo e assim gerar energia. Esse escape de ar pode prejudicar o desenvolvimento do Spica, podendo ser liberado somente em casos que não se necessite de muita velocidade. No final da apresentação aparece somente uma lista de materias necessários para a construção do veículo:
• 9 Aceleradores de Partícula;
• Uma máquina refrigeradora para as baterías e aceleradores (quanto mais gelado estiver, melhor será a condutibilidade);
• Baterías (o máximo possível);
• Painel Solar (gerador fotoelétrico);
• Dínamo (gerador eólico);
A apresentação termina e todos se levantam. Hana e Mel começam a me fazer festa enquanto Bill vai ligar a luz. Fico quieto observando Bill, que após ligar a luz vira-se para nós. Eu pergunto:
— E então, Bill?
Bill fica quieto, e sério por um momento. Pouco depois abre um sorriso e declara:
— Muito bem. Isso merece uma big sorvetada, não acham?
Mel e Hana comemoram. Bill sobe para pegar o sorvete e eu fico como um besta parado no meio do porão: “Bill aceitou o meu esquema”. Não demora muito e Bill desce as escadas com o sorvete que põe sobre a mesa.
— É Mike, valeram a pena esses 25m de vídeo.— declara Bill.
— É verdade Mike; o Spica é maravilhoso. Você é um gênio.
— Que isso, Hana. Se não fosse você ter dado a idéia…
Bill, que já estava com a sua tijela cheia de sorvete declara:
— Sabe, Mike. Só tem uma coisa que eu não entendí. Olha, o projeto é super viável, mas como nós vamos arranjar tudo aquilo? — fala apontando para a tela do computador que ainda apresentava a lista dos materiais necessaríos para o Spica.
— Olha, Bill. Talvez o mais difícil de tudo aquilo seja os aceleradores. A carrocería eu não enumerei na lista, mas também é super necessária.
— Aí, galera. Eu conheço um lugar que uns caras jogam desmanche de carros. Eu costumava brincar lá quando pequena. Talvez nós poderíamos aproveitar alguma coisa de lá.
— A Hana tem razão gente. Vamos explorar este desmanhe o mais rápido possível. Talvez tenha até algumas baterías lá.
Bill foi o primeiro a propor:
— Então vamos lá nesse desmanche, amanhã mesmo?
Todos aceitaram na hora. Combinamos oito da manhã na casa de Hana para partirmos para lá. Cada um foi para casa a fim de descansar.
O Desmanche
Apesar de já serem quinze p’ras 7:56, uma neblina fria paira sobre a cidade. Ponho a minha jaqueta e saio em direção à casa de Hana. Quando cheguei lá encontrei Hana me esperando juntamente com Mel e Bill. Dalí partimos sem demora para o desmanche. Guiados por Hana nós entramos num terreno onde havia um prédio velho, inutilizado pelo tempo. Ninguem falava nada. Ou porque não era pelo fria era por não ter nada a falar. Passamos pelo lado do prédio. Um rio corria lá atrás. Hana pulou sobre uma das pedras que estavam descobertas e dessa para outra. Seguimos o seu exemplo e fomos rio a cima.
Determinado momento nós percebemos que não havia mais casas, ou qualquer tipo de prédio por perto; só mato. Hana continuava no seu ritmo acelerado. O curso do rio tinha cavado o terreno de modo que à margem da nossa direita era de fácil acesso, porem a margem esquerda ficava cada vez mais alta durante o nosso percuso. Andamos mais um pouco e começamos a ouvir sons de carros. Realmente parecia haver uma pista movimentada do lado esquerdo do rio. Subimos mais um pouco. Hana estava um pouco mais adiante de nós, quando ouvimos algumas vozes. Hana parou imediatamente e olhou para nós com um olhar duvidoso e cochichou:
— Vocês ouviram?
Todos acenaram com a cabeça que sim. Hana continuou subindo. Desta vez estava perseptivelmente preocupada em chegar à magem dereita nossa. Finalmente chegou e acenou para que viessemos mais rápido. Quando todos já estavam na margem Hana ordenou silêncio. E mandou que a seguissem por trás dos arbustos que haviam na beira do rio. mais um pouco e vimos uma contenção de cerca de 8 à 10 metros de altura. Lá de cima dois homens vinham e jogavam carcaçam de carros roubados e depenados. Ficamos observando o movimento dos dois homens que mais tarde descobrímos serem na verdade três. Em baixo da contenção havia muitos restos de carros. Esperamos cerca de meia hora até que tivemos certeza de que os homens já tivessem ido embora. Mel foi a primeira a dizer alguma coisa:
— Ufa! Ainda bem que eles foram. Já não aguentava mais ficar aguachada aqui.
— Aí, galera. Agora a gente tem que atravessar o rio.— retrucou Hana que foi logo contestada por Bill.
— Você tá doida? Nós vamos lá onde os bandidos jogaram os desmanches?
— Se a gente não for eles não vem até nós, Bill.
— A Hana tem razão, alem do mais, eles já devem estar longe.
— E então vamos lá?— diz Hana já de pé.
— Vamos, né. Vou ter de aceitar.
Atravessamos o rio novamente pulando de pedra em pedra. Do outro lado percebemos como haviam restos de carros alí. Eram muitos. Cada um saiu por um lado examinando as latarias. De repente Mel grita do meio dos carros, nos cahmando. “Olha só o que eu achei, gente”. Uma Cargo Van praticamente inteira de lata.
— É bem espaçoso. Cabem todos nós e um bom maquinário.
Hana que já havia simpatizado com o carro acrescentou:
— A Mel tem razão, gente. A gente precisa de espaço. Além do más eu não ví nenhuma lataria em tão bom estado.
Eu tambem tinha adorado a lataria. Aceitei como pude:
— Ok. Agora é saber se isso aqui sobe.
Ouve uma pequena pausa. Pudemos sentir uma leve brisa que balançava as árvores. Bill que estava calado até então fez um comentário:
— Nós não podemos trabalhar com a Van aqui. Levar rio abaixo no muque, nem pensar. Mesmo se levassemos, onde colocariamos?
Novo silêncio. Hana vira-se repentinamente para olhar ao outro lado do rio. Logo vira e pergunta estranhamente se alguem tem uma lanterna. Não sei porque diabos mas Bill tinha. Hana chama todos ao outro lado do rio. Andamos cerca de cem metros e vimos uma rocha com alguns arbustos e uma abertura.
— Vamos lá. É uma caverna. Eu descobrí quando brincava com minhas amigas.
A entrada era pequena, mas o suficiente para passar uma Van e meia. O chão não era muito acidentado, nem o teto muito baixo. Realmente era um lugar perfeito para construir o Spica. Desta vez nem foi preciso o Bill falar nada: a lataria de um carro é muito pesada para ser carregada, ainda mais uma Van. Mesmo que nós quatro pegassemos juntos, não conseguiríamos. Mel sugeriu:
— Teremos que desmontar a lataria. Caso contrário nunca conseguiremosmontar o Spica. A gente traz, parte por parte e depois monta aqui dentro.
— Com o quê, solda?
— Você tem uma idéia melhor, Bill?
Breve pausa. Hana interronpe a pausa:
— Alguem tá com fome? Eu trouxe um lanche. É pouca coisa, mas acho que dá pra todos nós.
Lanchamos alí mesmo. Depois seguimos até a carroceria da Van e começamos a analisar em que partes ela seria dividida. Mel trouxe uma ferramenta que poderia servir para partir a lataria em partes. Comecei a tirar o teto, que estava mais fácil. Bill saiu a procura de alguma peça a fim de me ajudar. Hana e Mel saíram a procura de baterías esquecidas em meio das ferragens. Não chegaram à passar 10 minutos e o teto do carro estava solto do resto. Chamei a todos a fim de ter ajuda para carregar o teto. Bill veio com uma ferramenta similar à que eu usara para tirar o teto. Mel e Hana chegaram com uma batería, cada uma.
— Tem mais baterías. Nós vimos até uma de caminhão, não é Hana?
— Valeu, galera. Mas eu chamei vocês para me ajudarem com este teto. Vamos levá-lo para a caverna agora, certo.
Todos nós pegamos o teto, agora solto entre as ferragens. Cada um pegou em uma ponta e fomos em direção ao rio. Estava meio pesado, mas conseguimos levar até o outro lado sem ter de parar. Descansamos um pouco para voltar à carroceria. Desta vez eu tinha a ajuda de Bill, e Hana e Mel Continuaram procurando baterías. Mas um pouco e as portas da cabine dianteira estava solta. Mel e Hana levaram sozinhas as duas portas enquanto eu tirava a porta maior da lateral e Bill desagregava a frente do resto do veículo. Não foi muito difícil acabar de tirar as outras partes. No total foram cerca de quatro horas para tirar o teto, as portas, a frente, a traseira e a lateral da carroceria. Estava tudo dentro da caverna. O mais difícil vinha agora: o assoalho da Van era pesado demais para ser carregado. Tiramos as principais peças que só eram necessárias mesmo à um carro e dividimos no meio. Desta vez com a ajuda de todos, e mesmo assim demorou mais uma hora. Levamos as partes já mortos de cansaço para a caverna. Sentamos todos em meio à toda aquela parnafenalha, e com a luz da lanterna de Bill já fraca lembramos que logo iria escurescer. Mel fez um levantamento geral do material.
— Trouxemos 5 baterías, algumas ferramentas, e o mais importante: a carroceria da Van.
O ambiente começava a ficar realmente escuro devido a hora que era avançada. Bill com uma voz mas do que cansada mas não desanimada comentou:
— E agora, Mike? Como vamos conseguir os aceleradores de partícula?
Fazendo a cara mais cínica que tinha, respondí gesticulando:
— Teremos que explorar a Universidade de Jacksonville.
Risos. Bill fica sério novamente.
— Mas como vamos roubar um acelerador de particula? Ou melhor, nove!?
— O seu pai é o diretor da faculdade de ciêcias da computação, não é?
— Sim, e o que isso tem a ver com física?
— Nada. Mas pelo menos você tem um pretexto para entrar na universidade. Aí é só pegar os canhões de elétrons, a gente arranja uns tubos de vidro com vácuo e o resto eu arranjo.
— Está bem. Eu vou fazer o máximo. Mel, você me ajuda?
— Tô dentro.
Hana nos lembra que não é bom ficar até mais tarde no rio. Saímos, então, todos juntos. Já na casa de Hana, eu e Mel nos despedímos de Bill e Hana que discutem como pegar os canhões de elétrons na universidade. Mel combina comigo de irmos à um velho depósito, para procurar qualquer coisa que possa ajudar no Spica.
— Mel, eu estou impressionado, sabia? Tudo o que vocês querem vocês arranjam. Aquela carroceria, mais as baterías… Foi só sorte ou vocês sempre conseguem as coisas com rapidez por aqui?
— Ah, Mike. Aquele desmanche foi sorte a Hana conhecer.
— Vai ser sorte se a gente conseguir do nada esses tubos com vácuo para o acelerador?
— Precisa de quantos?
— Nove. Porque? Você sabe onde arranjar?
— Talvez. Mas eu não posso dizer como eu vou arranjá-los. É segredo.
— Claro.
— Eles são como tubos de anuncios luminosos de neôn?
— Sim.
— Eu acho que eu consigo sim.
Estava quase na hora de me despedir de Mel quando um prédio me chamou a atenção. Era um prédio velho e mal cuidado. Parecido com uma velha indústria.
— Você sabe o que é aquilo, Mel?
— Nada de mais. É só o prédio de uma gráfica que faliu há muito tempo.
— E já havia luz elétrica naquela época?
— Não faz tanto tempo assim que ela faliu, Mike. Já tinha energia elétrica sim. Porque?
— Nada.
— Bem, eu fico por aqui. Bye, Mike.
— Bye, Melissa.
Aquele prédio me parecia interessante. Amanhã à tarde todos estarão bem atarefados, e eu virei aqui…
Uma Gráfica Abandonada
Segunda-feira à tarde. Eu caminhava em direção à gráfica que tinha visto perto da casa de Mel. Hana e Bill estavam na universidade encarregados de trazerem os canhões de elétrons. Mel deveria estar arranjando os tubos com vácuo sei lá aonde, e eu deveria estar preparando o esquema do acelerador de partículas; como não aguentei de curiosidades tive de vir à gráfica abandonada saber o que havia dentro. Pulei o portão discretamente. Procurei uma entrada pela frente, mas não tinha. Atrás só havia uma porta trancada com ripas de madeira. Nenhuma janela aberta. O jeito foi entrar pelo porão. Estava tudo escuro, por isso usei a lanterna. No porão haviam muitos papéis velhos, talvez para a reciclagem. A saída era uma escada que dava numa porta alta. Ao abrir me deparei com um saguão de bom tamanho. À esquerda uma sala que, ao que tudo indica, era o escritório da gráfica. Estava vazio, com excessão de um arquivo num dos cantos. No saguão principal não havia mutias coisas; tinha uma máquina impressora de porte médio, e uma guilhotina antigona. Na guilhotina era possível ver o seu principal atratívo para mim: o seu motor que serviria de dínamo para gerar energia atravéz da força do vento. Logo o motor da guilhotina estava solto do resto da máquina. Comecei então a abrir a máquina ao lado a fim de descobriro seu motor. Estava difícil, então eu parei para descansar. Saí andando pelo prédio e descobrí um novo ambiente. Haviam lá muitas ferramentas, e inclusive um soldador de ferragens. Justamente o que era necessário para soldar o carro. Logo eu estava saíndo da antiga gráfica. Com dois motores e uma solda a mais do que quando entrei.
Quando cheguei em casa fui direto pro quarto fazer o esquema do acelerador. Mal comecei e o Bill telefonou.
— E aí, Mike? Fez o esqueminha?
— Não eu tava começando agorinha mesmo. E você? Conseguiu os canhões?
— Conseguimos dez canhões.
— P’ra quê? Só precisava de nove.
— A Hana que insistiu. E talves algum pudesse dar defeito mesmo.
— Está ótimo, Bill. Eu conseguí, hoje, dois motores e uma solda.
— Aonde?
— Numa gráfica antiga perto da casa da Mel.
— Beleza. Eu vou desligar agora, Mike. Amanhã a gente se vê na aula; está bem?
— Ok, Bill. Boa noite.
Fiz metade do esquema e fui dormir. Amanhã teria muitas coisas p’ra fazer.
Na escola, pude conversar com Mel acerca dos tubos com vácuo:
— Conseguiu os tubos, Mel?
— Consegui. Foi fácil.
— Sabia que você me deixou curiosos?
— Ainda bem que curiosidade não mata, né? E você; o que fez ontem?
— Sabe aquela gráfica perto da sua casa? Entrei lá e peguei dois dínamos e uma solda elétrica.
— Você é um louco.
A aula transcorreu novamente super rápidamente. Eu terminei o esquema do acelerador e combinei de passar na casa de Bill pela tarde. Lá a Mel levaria os tubos e todos nós poderíamos montar os aceleradores. A assim foi. Lá p’ras três da tarde todos os nove aceleradores estavam montados. E foram levados para a caverna. Mais dez baterías de carros foram acrescentadas às já presentes. E carregadas com o painél solar que Hana tinha pego emprestado com o seu vizinho. Logo a solda estava pronta, e começamos a remontar o carro. Com três ripas de aço emendamos o assoalho do carro e enquanto Hana e Bill furavam o chão do carro para adaptar os aceleradores, eu soldava as partes dianteira, traseira e lados do carros. enquanto Hana e Bill acabavam de encaixar os aceleradores, eu e Mel acertamos as últimas portas. Por último todos nós levantamos o teto do carro e eu soldei as pontas. No lugar dos vidros foi usado acrílico, e os faróis foram aproveitados dos faróis de milha que foram esquecidos em outros carros.
— Só faltam agora os toques finais. — comentou Bill.
— É… foi um trabalhão.— acrscentou Mel.
— Que tal se nós pintarmos de preto?
— Só se você arranjar os sprays, Hana.
— Você me dá cobertura?
— Claro.
Combinamos de ainda passar ainda no dia na loja de tintas. Lá, Hana conseguiu fazer algo, no mínimo destrozo: enquanto eu distraía um dos vendedores, Hana pôs o outro de quatro atrás do balcão. Faturamos uma caixa de spray. Bill prometeu levar um computador 386 que estava encalhado na sua casa para colocar no Spica. No final do dia todo mundo estava cansado e cheio de coisas para fazer no dia seguinte. Combinamos de nos encontrar na casa da Mel às duas da tarde para podermos finalisar logo o Spica. Todos concordarão com a idéia. “Amanhã terminaremos a construção do Spica”.— foi o que todos diseram.
Finalmente Pronto!
Finalmente chegara o grande dia! Hoje subiria pela primeira vez o Spica. Toda a galera estava presente às 2 na casa da Mel. Saímos de lá cheios de apetrechos. Imagine só: até computador tinha. Ao chegarmos na carvena começamos o trabalho: colocar o teto solar, acomodar as baterías em baixo dos bancos, acomodar o computador, o controle de direção do Spica, compartimento dos comes e bebes, rádio, dancetería, lanchonete, restaurante, biblioteca, shopping center, piscina, ciclovia, aéroporto, etc. etc.
Passadas algumas horas e estava tudo pronto. O nosso Spica, herói estava pronto para decolar. Entramos no Spica e nos acomodamos descentemente. Ligamos o som no máximo e então liguei os aceleradores. Aumentei a voltagem estúpidamente. O Spica, começou a manter uma certa distância do solo. Aumentou-se mais ainda a voltagem, até o Spica manter uma distância considerável ao chão. Ligou-se, então, o aceleredor traseiro e assim o Spica comessou sua marcha em direção à frente. Logo assim. Estavam à cima do rio, descendo rio abaixo, em direção ao futuro . . . . . . . . . .
F I M By Phill Melon©
Phill Melon é nome fantasia de Felipe dos Santos Gomes. 8º série. Fonseca – Niterói. – R.J.

















































