2012.03.13 Viagem de Chengde para Beijing

Hoje retornamos de Chengde para a capital. Antes de sair nós compramos baozi, que são uns pãezinhos recheados. Foi meio difícil me comunicar para saber se o baozi tinha carne de porco ou não, mas no final a senhora que montava os baozi na hora me mostrou a tijelona com verduras e ovo cozido. Levamos os baozi em uma sacolinha plástica e comemos na rua mesmo, sem hashi, bem precário, mas acho que foi o melhor baozi que comi até agora. E de longe o mais barato: dez baozi pequenos foram 5,00 yuan, o que deve dar uns R$1,40.

Quase não tinha turista estrangeiro em Chengde. Por isso mesmo as pessoas não tem a manha (e a má fé) de ter um menu especial para estrangeiros com o preço ligeiramente mais caro. Esse é o lado bom. O lado negativo é que quase ninguém que encontramos arriscava falar em inglês. Uma menininha de uns dez anos arriscou me falar o preço do baozi que falei antes. Mas foi um caso isolado…

O dono do hostel falava bem inglês, e ele nos deu boas indicações de como nos deslocar pela cidade. O nome dele é Ming, e o hostel se chama Ming’s Dinasty, entendeu?

Ah, resolvemos mudar de hostel em Beijing, e agora estamos perto da Rua Dajalan e do portão ao sul da Praça Tiananmen, chamado Qianmen. O lugar está cheio de opções culinárias, mas nada que me anime muito 🙁

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2012.03.12 B Resort de Verão de Chengde

O muro deste lugar tem dez kilometros de comprimento! Dentro tem uma floresta usada para a prática da caça. Esta floresta deve ocupar 90% do espaço. O restante era ocupado por lagos, ilhas e várias construções que incluíam a residência imperial de verão e outros prédios usados para trabalho da corte.

O Lonely Planet diz que “a melhor maneira de se conhecer as ilhas é fazendo um passeio de barco”. Bem, isso não foi possível porque o lago ainda estava congelado, para nossa surpresa. Eu nunca tinha visto um lago congelado, e a única imagem que me vinha na cabeça era uma cena de um filme em que uma pessoa caía dentro da água e era puxado rio abaixo, na parte de dentro do gelo, eheh. Mas quando eu vi quatro adultos juntos cuidando de três crianças de uns dois ou três anos de idade sobre o laguinho eu criei coragem para andar no gelo também. Apesar de ser um pouco escorregadio algumas pessoas pegavam atalho sobre o gelo para ir de uma ilha a outra. Também fizemos isso: nem tanto pelo atalho em si 🙂

Os jardins de pedra passaram a fazer sentido depois que visitamos o Jardim da Gruta do Leão, aquele da foto onde a Ana Paula está na ponte branca, com gelo em baixo e pedras em frente: durante os meses em que neva muito e que a temperatura raramente fica positiva, nenhuma flor ou verde sobra nos jardins tradicionais. Nessa época deve ficar ainda mais bonito o jardim de pedra. Imagine essa cena com um pouco de neve sobre as pedras… Outra coisa legal é que a água vira um caminho, e algumas partes na gruta podem ser alcançadas a pé.

Uma boa parte das construções sofreram um incêndio em 1945 e simplesmente não foram reconstruídas: só se encontra a base de pedra. Outras ainda estão lá. Na entrada principal temos o palácio principal que serviu de residência imperial. Lá foram assinados os “unequal treaties” com países ocidentais, durante a “imperatriz” Cixi. Essa época é retratada como o declínio na dinastia Qing, uma época de humilhação ao povo chinês, que foram obrigados a ceder tarifas alfandegárias para países europeus, além de ceder bairros para moradia de estrangeiros em cidades como Beijing e Shanghai. A venda do ópio também foi imposta durante esse período.

“Enquanto a corte desfrutava das belezas do resort de verão o nosso povo era humilhado”, dizia um quadro dentro dopáramos principal. Dessa forma o discurso oficial retira o crédito da ultima dinastia, que não merecia mais governar. Para se estabelecer como imperador é necessário ter o Mandato dos Céus: as pessoas devem acreditar que existe uma força sobre humana que queira que fulano ou beltrano seja imperador da China. A humilhação chinesa seria então um sinal de que a dinastia Qing perdera o Mandato dos Céus.

O jardim como um todo é muito bom para se passear. Encontramos bastante gente fazendo caminhadas ou mesmo passeando com passarinhos nas gaiolas. Apesar da entrada ser cara para os turistas, moradores da cidade podem entrar apresentando a carteira de identidade.

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2012.03.12 A Templo Puning

Uma estatua gigante de um Buda guardado dentro de um prédio, ambos de madeira. Este é o principal atrativo do Templo Puning (Puningsi, 普宁寺) que é um dos templos construídos nas vizinhanças do resort de verão (bishu shanzhuang, 避暑山庄). Infelizmente não é possível tirar fotos da estátua, e mesmo se fosse possível a iluminação não permitiria tirar uma foto razoável. Então eu só vou postar as fotos do exterior…

Vimos alguns monges rezando, além de muitas pessoas acendendo incenso e venerando as divindades. Lá no fundo tem uma barraquinha que vende cadeados: você pode pedir para gravar o seu nome e alguma outra palavra, tipo “paz interior” ou “felicidade”, ou gravar o nome do casal. Os cadeados são presos pelos turistas nas correntes que ladeiam o caminho até o muro norte. Haja cadeado!

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2012.03.11 Trem para Chengde, Templo Putuozongcheng

Fomos para a cidade de Chengde viajando em um trem que percorre 250km em quatro horas e meia. Fizemos a compra do bilhete de ida e volta na estação central de Beijing em uma bilheteria que atendia em inglês. Durante a viagem foi possível notar como o rio ia ficando gradativamente mais congelado por Chengde é uma cidade mais fria. Por sinal este foi o motivo da dinastia Qing ter construído aqui um resort de verão (bishu shanzhuang, 避暑山庄): para fugir do calor da capital.

A dinastia Qing foi a ultima dinastia chinesa e teve origem manchu, que é a região nordeste da China que faz fronteira com a Coréia e com a Rússia. Sinceramente nós esperávamos encontrar uma cidade pequena, tipo Campos do Jordão, com ruas pequenas, pouca gente… Não foi nada disso. Logo na chegada pode se ver uma quantidade enorme de gruas das construções de torres de apartamentos e escritórios. O crescimento econômico chinês é visível na construção civil. Mesmo o centro da cidade está repleto de construções.

O Ming’s Dinasty Hostel fica a uns dez minutos de caminhada da estação central de trem, e o proprietário foi bastante solicito em nos ensinar como se deslocar por Chengde, quais ruas ir, quais ônibus tomar, onde comer. O celular com mapa e GPS ajudou um bocado também. Pena que a bateria não dura o suficiente, o que vai gerando um baita stress no final do dia 😮

O Palácio de Verão é um espaço gigantesco cercado por muro que envolve uma floresta destinada a caça, no lado oeste, e um lago no sudeste com ilhas e várias construções e jardins. Fora desse espaço murado foram construídos doze templos com propósito diplomático: o imperador fazia uma homenagem a integração dos povos que compunham a China.

Visitamos o Templo Putuozongcheng que é inspirado no Templo Potalaka que fica em Lhasa, capital do Tibet. Construído no alto de uma colina o templo é o mais impressionante de se ver de longe. Além do prédio principal existem vários prédios menores feitos em estilo tibetanos, com janelas em formato de trapézio.

Por toda a cidade encontramos vestígios de neve e gelo: eu achei bem engraçado ter água congelada no chão, mas é importante ter cuidado quando se está andando para não escorregar. Como estamos andando de bota o perigo de leva um tombo é menor. Uma diferença com Beijing é que aqui é mais comum as pessoas ficarem olhando para mim por conta da minha aparência. Em geral ficam olhando fixamente, alguns olham sorrindo e um ou outro arriscam um “hello”. E olha que nem estamos em uma cidade pequena.

Fomos jantar em um restaurante de churrasco. Parecia churrasco coreano. O menu estava em chinês, mas as fotos ajudaram bastante. Só não conseguimos pedir verduras, pois não tinha foto de nenhuma delas. Um dos garçons vinha até a nossa mesa e ria da cara da Ana Paula quando via que ela não conseguia arriscar uma só palavra em chinês. A coca cola veio sem gelo. Aliás, é bem raro alguém servir bebida mais gelada que a temperatura ambiente. Por exemplo, quando a gente sai de manhã do hostel com alguma garrafa de chá ou de água a gente fica andando por, digamos, uma hora e pronto: temos bebida gelada 😉

Tomar banho a noite foi uma experiência e tanto pois o banheiro fica fora do quarto e é preciso atravessar o quintal de uns 25 metros, sem cobertura, para tomar banho. Não é tão ruim quanto parece, mas dá muita raiva chegar lá e descobrir que se esqueceu a escova de dentes no quarto. Eu acho que no início da noite estava fazendo perto de zero grau.

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2012.03.10 B: Mansão do Príncipe Gong e Beihai

A Mansão do Príncipe Gong fica no meio das hutong entre Beihai e os lagos mais ao norte. Uma vez que serviu de residência imperial, a estrutura dos prédios não é muito diferente da Cidade Proibida. Aqui tem menos cômodos abertos ao público, e muitos são lojinhas ou exposição de artistas contemporâneos.

O mais interessante aqui é o jardim que fica ao norte, com lagos e muitas pedras. As pedras têm um papel importante nos jardins chineses. Como estamos no final do inverno as plantas ainda não se animaram em desabrochar. Ficamos com os lagos, as pedras e os corajosos patos que entram na água mesmo com todo o frio que está fazendo.

Saindo da Mansao, mais ao sul, fica o Lago norte, Beihai (北海), que é um lago gigante que fica a oeste da cidade proibida. Entramos no muro norte onde existe um jardim botânico bem charmosinho, meio labiríntico. O lago principal é tão amplo que gera um vento forte que levanta algumas marolinhas na água. Andar sem uma jaqueta corta vento deve ser difícil.

Lá no meio do lago tem uma ilha com uma adaba branca em estilo tibetano, construído em homenagem ao Dalai Lama pelo imperador da China alguns séculos atrás. O Tibet faz parte da China faz um bom tempo, e o movimento separatista que existe hoje surgiu como reação dos senhores de terra tibetanos que não aceitaram a reforma agrária da República Popular da China por volta de 1950. Do alto da adaba branca é possível ver um pouco da cidade proibida e os condomínios dos políticos de alto escalão, logo a oeste. É como morar perto do Central Park, eu acho.

A experiência culinária de hoje envolveu comer Baozi (包子), um pãozinho branco com recheio e cozido no vapor. Paguei o mico de ficar uns dez minutos consultando o dicionário para só depois descobrir que havia um menu em inglês: as olimpíadas 2008 mudaram bastante essa cidade, felizmente. Ainda assim demoramos tanto para pedir que a fila triplicou atrás de nós: a mulher do caixa foi muito paciente 🙂

Comemos baozi de legumes, cogumelos e carne bovina, além de um pratinho de raiz de lótus no leite de soja de laranja: tudo gostoso.

Depois descobrimos um mercado grande mais ou menos perto do hostel. Atrás de uma porta dupla, mas discreta, descendo ao subsolo, um mercado grandão! Como seção de eletrodomésticos e tudo. Aos poucos estamos entendendo a estrutura da cidade. Em cima deste mercado, no térreo, e também meio escondido, um espaço grande com vários lojinhas vendendo roupas, eletrônicos, feira de vegetais e peixes vivos. A sociedade chinesa é tão distante culturalmente da brasileira, que às vezes eu acho mais divertido andar nessas lojinhas do que visitar uma residência imperial antiga.

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2012.03.10 A: Torre do Sino e Torre do Tambor

As Torres do Sino e do Tambor ficavam no centro da cidade quando foram construídos, durante a dinastia Yuan, por volta de 1200. Destruído uma ou duas vezes por incêndio, a estrutura atual foi refeita no século XVIII. O sino era usado para anunciar a hora certa. A torre do tambor fica um pouco ao Sul e tem, em seu interior, alguns tambores antigos e outros mais novos que são tocados algumas vezes por dia para alegria dos turistas 🙂

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2012.03.09 Templo Lama, Templo de Confúcio

Nesta sexta fomos ao Templo Lama e ao Templo de Confúcio. No final do dia compramos passagem de ida e volta para Cheng De, uma cidade ao norte, onde vamos ficar duas noites a partir de domingo.

Depois escrevo algo a respeito dos dois templos de hoje.

O Templo Lama é um complexo de templos administrado pelo governo. Foi construído para ser usado como residência de um imperador e convertido em templos pelo seu sucessor. O complexo tem templos com características Han, Tibetana, Mongol e Manchu. Para mim só existe distinção daquilo que é Tibetano e o restante que é “chinês”, mas tudo bem.

O que eu acho mais fascinante em um templo não é tanto a beleza dos prédios ou das esculturas, mas sim o movimento dos fiéis. Um bocado de gente visitava o local acendendo incensos se prostrando. Dois senhores e uma senhora pareciam ter vindo direto do Tibet para visitar o lugar. Eles se prostravam na frente de cada divindade, o que pode levar um tempão.

Se o Templo Lama é repleto de fiéis, o Templo de Confúcio tem muito menos visitantes, a maioria vindo com caravana. O Confucionismo foi perseguido durante a Revolução Cultural e finalmente voltou a cena nos últimos dois anos, quando voltou a ser permitido organizações confucionistas, e exibição de estatuas.

É um sistema moral que me parece muito positivo: valoriza a meritocracia, os valores familiares orientais de respeito e ajuda, e trata da moralidade em relação a sociedade. No templo existem estelas com nomes dos classificados em concursos públicos, outras comemorando feitos estatais notáveis, estátuas de Confúcio e discípulos, além de muitas exposições sobre o assunto. Uma ótima iniciação.

Fiquei com vergonha de não ter lido o livro do Max Weber sobre a religião da China, ou a introdução ao confucionismo… Mas eu farei isso no futuro.

PS: comprar passagens foi fácil: tem um guinche com atendimento em inglês 🙂

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2012.03.08 Cidade Proibida, Parque Jingshan, roupa de frio e comidinhas

A Cidade Proibida tem mais de nove mil quartos e eu acho que nós fomos a metade deles. A arquitetura do lugar é sempre concisa: três prédios alinhados ao meridiano; um ao Sul outro ao centro e um ao norte, eventualmente ladeado a leste e oeste por uma parede ou, o que é mais comum, uma fileira de cômodos. Ainda assim é fácil se perder.

De almoço arriscamos um prato de frango e uns pães doces (baozi, 包子) recheados com ovo: estava bom. Precisei usar o dicionário no celular: ele está sendo um salva-vidas aqui.

A parte leste da Cidade Proibida cobra um ticket a parte, mas tem uma coleção de objetos bem interessante. É muito coisa para ver em um só dia, mas enfim: vimos 🙂 Ao norte da Cidade Proibida fica o Parque Jangshan que tem uma montanha (shan, 山) feita com a terra retirada na construção do fosso. Eu achei divertido ver o fosso da Cidade Proibida congelado. Pensando bem é meio bobo se divertir com isso, mas como eu nunca tinha visto tanto gelo antes, e ao ar livre, eu gostei.

A quantidade de turistas é enorme, mas nos disseram que estamos na baixa temporada ainda. Mas talvez o clima ameno tenha trazido mais gente para fora de casa: tem feito seis a oito graus, sem muito vento, esta semana. Semana passada teve dia da máxima beirar zero grau. Eu gosto de olhar os turistas, especialmente os chineses. Muitos tem cara de camponeses, ou agricultores, que devem ter economizado bastante para ver a capital. A educação das pessoas de fora da capital é visivelmente menos polida que os moradores de Beijing. Por exemplo: apesar do metrô ser bem cheio o pessoal mantém uma fila, pelo menos fora do horário de pico. Nós pegamos uns senhores que pareciam muito vir do campo e foi uma entrada caótica: os tiozinhos e tiazinhas se empurrando e a gente no meio. Ufa!

Hoje compramos luvas e gorro: tenho quase certeza que pagamos mais que o normal, pois os vendedores fixam preços mais altos para os estrangeiros, que eles chamam de laowai. Depois de negociar por um tempo eu acabei aceitando o preço mas falei para a vendedora que ela estava me fazendo um preço para laowai. Ela disse que chinês paga mais caro que o que eu estava pagando. Acredito? Eheh

Ao final do dia fomos a Avenida Wangfujing para ver as comidinhas das fotos: eu comi arroz agridoce com abacaxi e três baozi (包子) de frango. A Ana Paula arriscou uma raiz de lotus super picante. O jantar de verdade foi um domburi japonês (arroz com refogado de frango ou cogumelo), mas as comidinhas da feira foram legais de se experimentar. Também tinha escorpião, estrela do mar, cavalo marinho, ouriço e outras coisas esquisitas que só se encontra por aqui. A comida cotidiana do chinês não tem essas coisas estranha não, viu?

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2012.03.07 Wangfujing, Tiantan e Sanlitun

Tentamos tomar café em uma padaria perto do nosso hostel ontem. Apesar de estarmos com um pouco mais de coragem para apontar e fazer mímica acabamos desistindo de comer porque nós simplesmente não tínhamos ideia do que era cada comida. Uma coisa é olhar para um pão e não saber como se fala a palavra pão. Outra coisa é olhar para um balcão e não ter ideia das coisas. Resultado: acabamos tomando um café da manhã/almoço no Pizza Hut. A pizza vegetariana tinha abacaxi, mas fora isso foi tudo normal. Na parede tinha estampado em letras garrafais a expressão “comidas exóticas” (escrito em inglês). Exótico? Ah, tá bom… Do lado de fora do Shopping tinha barraquinhas servindo escorpião no espetinho, pô!

Com o atraso para achar comida acabamos deixando para ver a Cidade Proibida outro dia e fomos visitar o Templo do Céu. Uma estrutura utilizada pelas ultimas duas dinastias para praticar cerimonias pedindo boas colheitas. Também acho era uma espécie de afirmação do mandato dos céus: antigamente se acreditava que o poder do imperador vinha da vontade dos deuses (seja lá qual), e quando as coisas deixavam de funcionar se argumentava que os deuses não queriam mais aquele imperador, mas sim o novo imperador. Nesse sentido não era muito diferente das monarquias européias. Duas vezes por ano o imperador vinha a Tiantan, ficava em isolamento por três dias e depois fazia rituais que envolviam queima de lenha, veneração dos antepassados do imperador e outros detalhes que podem ter variado bastante durante os quatrocentos e tantos anos de existência do complexo de altares.

Do lado de fora de Tiantan tem um mercado. Entramos lá pra comprar snacks, mas nos surpreendemos com um mega Stand Center, vendendo bolsas, pérolas, roupas e muitos gadgets, claro. Nos arriscamos e compramos um cartão SD: os dois primeiro não funcionaram adequadamente, provavelmente por serem falsos. O terceiro parece ter funcionado direitinho: tem que testar na hora os baratos…

Update: o cartão SD era mega falso. Perdemos 40 fotos quando usamos ele. Quando tentamos colocar no notebook ele ficou preso e só saiu com ajuda de uma pinça.

Pegamos o metrô na hora do rush: é bem gostosinho, só que ao contrário. Ainda assim foi menos punk que a estação da Praça da Sé, em SP.

A noite passamos no bairro de Sanlitun, um lugar moderninho cheio de lojas de grife, a Apple Store e vários barezinhos. Não entramos nas lojas de grife, mas eu dei uma espiada na loja da maçã: é bem minimalista. Escolher um lugar para comer: retirando os bares basicamente destinados a tomar cerveja as opções não eram tão grandes quanto o bairro. Ficamos com comida italiana, porque a alternativa era comida iraniana!

Olhando no mapa o bairro não parecia tão longe, mas no final precisamos pegar umas dez estações para voltar ao hostel. Parece que em Beijing tudo é meio gigante e longe.

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SP-Beijing

Minha professora Sueli uma vez me ensinou que no hebraico a mesma palavra usada para férias significa liberdade. Sempre que tiro férias eu me lembro disso. Hoje talvez eu tenha ficado com isso mais forte na cabeça pois estou viajando para a China 🙂

Eu não imaginei que fosse tão duro ficar sentado esse tempo todo. Estamos fazendo a viagem pela Air China e o primeiro contato com a tripulação foi algo assim:

Aeromoça (para a Ana Paula, falando em chinês): a senhora pode perguntar a este senhor se ele vai precisar da cadeira de rodas?
Eu (em chinês macarrônico): Ela não fala chinês. Ela é brasileira.

É obvio que depois eu entrei em mini-pânico pois o meu chinês tinha acabado ali mesmo 🙂 por sorte não veio nada estranho para comer, e por estas coisas que o fuso horário faz, saímos no final da tarde de domingo para chegar na manhã de terça-feira. Ainda era escuro e a lua se pôs bem vermelha ainda antes de aterrissarmos.

Conseguimos chegar ao Hostel facilmente usando o mapa offline no meu celular. Mas foi difícil decidir o que comer. Como está bem frio fomos a uma decathlon comprar roupa de frio e demos uma olhadinha na entrada da Cidade Proibida e na Praça Tiananmen: a quantidade de turistas chinese é bastante grande. Também tentamos dar um relax no parque “中山 (Zhonshan) não sei o quê”, que fica a oeste da entrada da cidade proibida: olhando no mapa não parecia tão grandinho. Gostamos de ver o fosso que rodeia a Cidade Proibida ainda congelado.

No fim do dia o desafio foi jantar em um restaurante tradicional muquifo. Comemos um noodle de frango sem graça e não conseguimos comer o yakimeshi de ovo: muito ruim :(. O que salvou foi um pãozinho chato, que lembrava um pão sírio.

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