Lugares

2012.03.24 A Cavernas de Longmen

As cavernas de Longmen são o grande atrativo desta cidade. As cavernas são da época em que Luoyang era capital de uma dinastia chinesa. Naquela época era costume entalhar estátuas a beira de um rio. Antes da capital se mudar para Luoyang as cavernas também eram feitas, em Datong. Com o risco de invasão bárbara a capital mudou para o sul e as cavernas começaram ser feitas aqui, em Luoyang.

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2012.03.23 Viagem de Xian para Luoyang

Hoje pegamos um trem para Luoyang. Compramos o ticket na hora e por isso não conseguimos lugar no trem mais rápido, e também tivemos de sentar nos lugares chamados “hard seat”. Na verdade a diferença entre o hard seat e o soft seat não me pareceu ser a moleza ou dureza do banco, mas sim o espaço que se tem na poltrona. Como o hard seat é um pouco mais barato o vagão também fica bem cheio. Talvez seja um eufemismo para primeira e segunda classes. Não sei. É um chute meu, talvez movido pelo preconceito de se estar em um país comunista.

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2012.03.22 Pagode do Ganso Grande e Museu de Xian

Ao sul do cidade tem um pagode do ganso grande dentro de um parque bom de se passear. Fizemos a volta pelo pagode, mas não nos interessamos de entrar para ver as exposições. Depois de muitos dias vendo exposições é natural você ficar insensível. É impossível absorver muita informação histórica, então passeamos olhando o pagode meio de longe, as fontes de água e as barraquinhas turísticas. De noite tem um show das águas, mas faltou pique para voltar de noite aqui…

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2012.03.21 Guerreiros de Terracota

O primeiro imperador da China construiu um exército enorme de guerreiros de terracota para que fossem enterrados junto dele. Cada guerreiro tem uma feição diferente, uma posição única. O mausoléu do imperador, naquela época, costumava ter uma montanha erguida sobre a tumba, o que formava um pequeno monte. É engraçado notar uma leve semelhança entre os ritos funerais do faraó egípcio e do imperador da China, mesmo sendo civilizações que não deviam manter contato algum: enterrar jóias, o que me parece bem normal para qualquer cultura, levar um exército para a outra vida e erguer um monte ou uma pirâmide em cima.

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2012.03.20 Floresta de Estelas e o Muro de Xian

Junto ao muro sul de Xian fica o Museu da Floresta de Estelas, que é um lugar que guarda placas de pedra antigas com livros antigos, poemas e registros históricos. É um tanto monótono andar no meio de tanta pedra quando não se consegue ler uma única frase do que se está escrito, é verdade, mas eu fiz uma forcinha para tentar observar a mudança de tipo de escrita e tentar descobrir onde terminava o I Ching, o livro das mutações, e onde começava o livro da piedade familiar. Dois clássicos confucionistas. Não, não consegui achar nada, eheh. Mas imagine o tamanho do livro, já que estão escritos em pedaços altos de pedra. A profunda estima dos confucionistas pelos escritos permitiu que se guardassem algumas pérolas aqui.

No final das estelas tinha uma sala onde alguns funcionários faziam copias xilográficas de algumas delas, algumas com poemas e desenhos.

O museu da floresta de estelas tem ainda uma mostra de estatuas gigantes de animais em pedra, como um rinoceronte em tamanho real. Uma outra exposição mostrava várias estatuas budistas.

O museu tem um valor histórico grande, mas é um pouco caro para quem não curte olhar estelas. A entrada foi 75,00 RMB.

Em 1983 o governo resolveu reformar o muro da cidade de Xian por completo. O resultado é que hoje é possível dar a volta na cidade antiga pelo alto, a pé ou de bicicleta. O percurso todo tem 14km e o trecho de muro atual corresponde àquele construído na dinastia Ming, em 1370, quando a cidade não tinha uma importância política e econômica tão grande quanto teve antigamente. O muro já foi muito maior e chegou a ter um perímetro sete vezes maior, durante a dinastia Tang.

Andamos 1km de muro a pé, olhando um pouco da cidade em volta. Passamos por um museu na saída com trechos antigos do muro. Não sabíamos do museu. Simplesmente esbarramos nele 🙂

Tentamos ver o pagode do ganso pequeno, mas já estava fechado. As coisas fecham cedo em março, e como os guias turísticos dão informações imprecisas, a gente acaba se atrapalhando um pouco.

Hoje comemos um baozi de verduras e ovo e iogurte na rua. Estava bom. De noite fomos ao Pizza Hut. Ana Paula pediu um macarrão ligeiramente apimentado, forte para os nossos padrões, mas tudo bem. E eu pedi uma sopinha de cogumelos e uma mini pizza de salmão sinistra: tinha pimentão, polvo, camarão, cogumelo e um molho wassabi. Pesadíssima. Comi metade. Daqui pra frente só peço a vegetariana que é mais leve…

 

 

2012.03.19 Xian: mesquita, casa antiga e templo taoísta

Xian foi a maior cidade da China durante muitos séculos. Quando a China foi unificada pela primeira vez e a dinastia Qin instalada, Xian era a capital. Na época a cidade se chamava Changan. Localizada perto de um férteis leito de um rio afluente do rio amarelo, e protegido por cadeias de montanhas, Xian ainda contava com o positivo fato de estar no meio da rota da seda.

A rota da seda era um, ou alguns, caminhos de troca comercial de produtos chineses com a Pérsia e o restante do mundo. A China tinha excelente seda e materiais feitos de bronze para exportar. As importações incluiam jóias e temperos. Por muito tempo Xian foi a maior cidade murada do mundo, e uma das mais cosmopolitas, recebendo influência direta de diferentes povos. A chegada das religiões muçulmana e budista à China tem passagem importante nesta cidade.

Hoje visitamos o bairro muçulmano com um mercado cheio de lojinhas de coisinhas e de comidinhas. Bem no centro visitamos uma mesquita justo no horário de uma reza. A arquitetura é chinesa, com as características muçulmanas, semelhante a mesquita da rua da vaca, em Beijing.

Visitamos por ali uma casa que pertenceu a um alto oficial da dinastia Qing. O oficial passou em segundo lugar no exame nacional e ganhou a casa de presente. A casa é mantida até hoje pela família que transformou o lugar em um museu e em uma escola de pintura.

No final da tarde fomos conhecer um templo taoísta chamado Templo dos Oito Imortais. Eu não consegui pesquisar o suficiente para saber o que é taoísmo, mas sei que é uma das grandes religiões da China, e que o conceito de Tao está ligado às tríades que podemos ver na bandeira sul coreana, e que está presente em algumas fotos que a Ana Paula tirou.

Ficamos observando as roupas dos praticantes, que é diferente das roupas usadas em outros templos. A veneração é parecida com a veneração nos templos budistas e confucionistas: oferecer incenso ou dinheiro e fazer reverencia com as mãos postadas ou em frente a testa em frente a estátua que representa a divindade.

Xian é bem grande, mas ainda assim é bem mais rápido aravessar a cidade aqu do que em Beijing 🙂

Tentamos comer em um shopping. A Ana Paula queria macarrão sem picante, eheh. Eu me esqueci de pedir sem picante. Vi a foto do que seria um frango agridoce e pedi o barato. É claro, era bem picante, e lá no fundo com um pouco de agridoce. Achei que tinha pouca carne, e muita gordura. Parece que o pessoal gosta da gordura porque deixa mais macia a carne. Como eu consegui comer tudo, menos a sopinha e a salada de nabo, dou nota quatro pro prato 🙂

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2012.03.18 É neve, maluco!, e o Museu Nacional da China

Não é muito comum nevar nesta época do ano, mas aconteceu de nevar um pouco durante a madrugada, e pela manhã os telhados das casas e dos carros estavam cobertos de neve, trazendo uma ótima oportunidade para fotos. Não, eu não usei minha bota de neve. Usei meu tênis novo chinês que não machuca meus pés. Caiu um pouquinho de neve em cima, mas logo eu tirei, antes que molhasse de verdade meus pés.

Muita gente estava tirando fotos da neve também. É bem legal!

A cada cinco anos o Partido Comunista Chinês se reúne em Beijing para discutir o destino da política nacional. É quando se reúnem os representantes de cada província para reuniões e decidir certas coisas. O modelo de centralismo democrático é desconhecido no ocidente, a não ser por aqueles que tiveram algum contato com o antigo partidão 🙂

As decisões são tomadas em reuniões fechadas a não membros do partido, e não é permitido divulgar o voto vencido. Ou seja, se você não concorda com alguma coisa você pode registrar sua opinião em uma instancia superior do partido. Se você divulgar para alguém de fora, como um jornalista, você pode ser advertido ou expulso por não cumprir a constituição do partido.

O resultado prático é que publicamente as votação são todas consensuais. A cada pública do partido é a cara de um corpo coeso, decidido em uma única direção. Algo impensável no ocidente, mas na China se chama democracia também.

Durante as semanas que o partido está reunido o hall do povo e o mausoléu de Mao Tsé Tung ficam fechados para o público. Qual é a chance de se estar em Beijing durante o congresso? Pequena, mas é justamente o período que estamos visitando. Um dia depois de nossa saída da capital o encontro acaba, e esses dois lugares vão abrir novamente ao público, mas daí estamos longe…

Resolvemos ir ao Museu Nacional da China, que fica junto a Praça Tiananmen e não estava fechado. Grande, o museu tem várias exposições temporárias. Vimos coleção de dinheiro antigo, peças de jade e bronze antigos, inclusive um pote de bronze da dinastia Tang, com uns 4 ou 5 mil anos. Também vi uma mostra de cultura pop com desenho animado, quadrinhos, livros e jogos eletrônicos, todos chineses. Será que daria certo traduzir para vender em português esses quadrinhos no Brasil?

No centro do primeiro andar tem uma mostra de quadros que conta a história da fundação da República Popular da China, com a guerra em Nanjing, a grande marcha até Xian e depois mais guerra e a tomada de Beijing. Lembrei das aulas de antropologia da professora Lilia Moritz Schwartz, que ensinou a ler esse tipo de quadro contando histórias oficiais e montando a imagem pública do grande estadista.

No subsolo uma mostra permanente muito completa falando tudo sobre a China: dinastia Qing, Ming, Yuan, coisas do tempo dos três reinos, um monte de estátuas, achados históricos de uma vila no centro da China, por volta do ano quatro mil antes de Cristo, o homem de Pequim… Ops! Visitamos a exposição pelo lado contrário! :-p

De noite embarcamos para Xian. O trem saiu da estação oeste de Beijing. Como compramos a passagem na estação de trem central, não tínhamos idéia do tamanho desta outra estação, que obviamente é maior que a primeira. Aliás, já comentei que aqui tudo é gigante? A viagem durou doze horas, e fomos deitados na caminha de cima. Eu consegui ouvir um nerdcast e ler um capítulo das crônicas de gelo e fogo. Dia primeiro começa a segunda temporada de Game of Thrones, e eu estou longe de terminar de ler o segundo livro…

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2012.03.17 Mesquita, Zôo e ruínas do Muro de Beijing

Quando muçulmanos passaram a viver na China a nova religiosidade foi aceita desde que adquirisse características chinesas. A Mesquita da rua da vaca mostra o significado disso muito bem, pois todos os prédios lembram muito bem qualquer palácio real ou templo budista, taoísta ou confucionista. A diferença está nos detalhes.

Normalmente as construções deste tipo são feitas no eixo sul-norte, com a entrada para o sul. A mesquita deve ficar voltada para Meca, logo ela deve ser construída no eixo leste-oeste. Toda Mesquita tem um minarete, certo? Na Mesquita da vaca o minarete é um pavilhão de dois andares, bem discreto para o padrão árabe. Mas se trata de uma mesquita chinesa, e não árabe.

Na China as pessoas com alguma relação com o mundo árabe é classificado como etnia Hui (a pronúncia é huei), e está presente em vários pontos do país, mas em especial uma província chamada Yinchuan. A chegada dos Hui remete a época da rota da seda, com os mercadores persas.

A mesquita da vaca é uma atracão turística importante, mas não nos animou nem um pouco. A estrutura é bem antiga, do século X, e ainda está em pleno funcionamento. Quando passamos por lá tinha um grupo fazendo leitura em uma sala de aula, homens e mulheres misturados. Já o salão de orações era separado e havia um salão para os homens e outro para as mulheres. Eu não sei se em algum outro lugar do mundo existe salão de oração para mulheres em Mesquita, mas essa característica me pareceu uma boa inovação 🙂

Fomos secos para ver os pandas gigantes no Zôo de Beijing e vimos: todos deitadões dormindo profundamente como se fossem gatos domésticos. Acho que eu entendi porque um dos caracteres de urso panda é o mesmo caractere de gato doméstico: eles dormem igualzinhos. Demos uma passeada pelo restante do zoológico e tinha bastante marsupial, que é uma família de animais mais rara no Brasil. Também gostei dos macacos pois eram diferentes dos nossos. Um detalhe é que as casas de elefantes, rinoceronte e girafa, que em São Paulo ficam expostos a temperatura ambiente, aqui ficam fechados em ambientes quentinhos. Achei abafado, mas é bem melhor para os baixos tropicais.

Antigamente a cidade de Beijing tinha um muro. Na verdade eram vários muros. A cidade proibida ainda mantém o seu muro. O face sul do muro possui cerca de 900 metros. Fora do muro ficava um segundo muro cujo lado sul tinha, em sua ultima configuração, mais de 6km. O muro foi demolido para dar lugar a grandes avenidas, e abaixo delas uma linha circular de metrô, cujas estações mantém os nomes dos antigos portões da cidade.

Mas na esquina suldoeste existem ruínas da muralha, logo atrás da estação central de trem. Uma pequena parte foi restaurada e tem uma torre com uma exposição dentro contando a história do muro. Eu gosto bastante de história e achei bem legal ver as maquetes reconstruindo cada um dos portões, sem falar em mapas antigos e fotos do início do século mostrando aspectos do muro.

PS: estava chuvoso esse dia. Estava tão bom pegar dias ensolarados e sem nadinha de nuvem…

De noite fomos a um restaurante de Hot Pot da Avenida Qianmen. Segundo o cartaz da porta é um restaurante bem tradicional, onde o próprio imperador teria comido uma vez. Pedimos a versão picante do prato. Atenção: se você não for um baiano que gosta de coisas EXTREMAMENTE picantes, nunca peça algo picante, porque normalmente já é picante. Sabe o que nós ganhamos? Um prato que só tinha gosto de pimenta e fez eu me sentir como se meus lábios fossem tão carnudos quanto os da Angelina Jolie 🙂

O jantar vem em pequenas porções que você escolhe e vai mergulhando em uma panela de cobre que tem um molho que pode ou não ser picante. Comemos espinafre, adelga, raíz de lótus, cogumelos e carne de carneiro. Sabe qual é o gosto que tudo isso tinha?

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2012.03.16 Gripe!

Hoje foi dia de ficar na cama com gripe e febre. Quando São Random quer, não tem pra ninguém. Viajamos de trem perto de uma mulher gripada e pegamos um quarto com outro hóspede mega gripado. Daí não teve jeito. Hoje eu só consegui andar um pouquinho para comer um arroz com curry no KFC.

As coristinas e o paracetamol que eu trouxe quebraram um galhão. Ter de fazer mímica em uma farmácia quando se está com febre não é nada legal.

Aproveitando o mimimi: outra coisa que está me matando são meus pés. Eu achei que precisaria de uma bota para andar por aqui, mas como ela machucou meu pé eu comecei a andar meio torto, daí um tendão começou a doer na canela. Se eu não trocar a butins por um tênis eu acho que vou ter problemas…

Detalhe: a bota só seria importante se estivesse nevando, dã!

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